segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Alma portuguesa
















........................................................................
NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro,
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!

in.
Mensagem, Fernando Pessoa.
.........................................................................
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele
Pobre que não era pobre, que tinha olhos
tristes por profissão.
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.
Já disse: Sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: Sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.
in.
Poesias de Álvaro de Campos, Fernando Pessoa.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Um lobo disfarçado de cordeiro

O jornal "i" publicou hoje um excelente artigo que pode (deve) interessar todos os utilizadores do"facebook". Aconselha-se a sua leitura para perceber um pouco melhor até onde vão as virtualidades e perversidades do uso daquela rede social.
Na ânsia/obcessão de estar "integrado" socialmente, e contornar eventuais quadros de solidão e timidez, aceitam-se e convidão-se ilustres e menos lustres desconhecidos como "amigos", que dificilmente se converterão em amigos de facto, visto que para tal, será sempre necessário ultrapassar o conforto e comodismo da comunicação virtual, para a frontalidade da comunicação real, geradora (sem equívocos) de um verdadeiro relacionamento social, nas suas diversas vertentes, designadamente na dimensão emocional e/ou sexual.

Por outro lado, também há que perceber os sinais dos tempos no que respeita à mudança de paradigma ocorrida nos últimos 20 anos, no que se refere à substituição progressiva de hábitos sociais promotores de sociabilização (encontro nos cafés de bairro, participação em eventos sociais e profissionais, etc.), pelo "conforto" de, sem sair de casa, poder ir directamente ao encontro, com ou sem sucesso, do hipotético(a) amigo(a) ou amante que está ali à mão e à distancia de um "clik" de rato.

Não sendo totalmente imune a esta nova realidade, antes pelo contrário, ocorre-me dizer que há mais vida para lá das imensas horas que passamos, solitariamente, frente ao computador.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Relembrar a Figueira nos seus tempos áureos























A Figueira da Foz emerge de vez em quando da sua apagada vã e atlântica imensidão, para a "ribalta" da nação, pelas mais diversas razões, desde a acção de Manuel Fernades Thomaz (figura do liberalismo português vintista e um dos principais mentores da Revolução de 1820), até ao feliz evento da apresentação do Portugal dos Pequeninos e da sua "circunstância", pelo João Gonçalves, que hoje acontece no Casino da Figueira, onde estarei presente com muito gosto, apesar de estar a escrever este comentario em Lisboa onde resido.Naturalmente que entre a intervenção liberal de Fernandes Thomás em 1820 e a apresentação do Portuga dos Pequeninos por João Gonçalves (repositório lúcido e independente da democracia que não sabemos se é), nesta mui grande e atlântica cidade da F. Foz, muitas coisas aconteceram, desde o advento da praia social dos anos 50/60/70 (povoada com elegancia beirã e espanhola de burgueses e aristrocatas), pelos festivais da canção nacional, pela Maria Clara imortalizando a cidade com a sua canção "Figueira", com as incursões sublimes de Jorge de Sena em "Sinais de Fogo", tudo à volta do Grande Casino Peninsular no tempo do Pateo das Galinhas e das noites de Espanha.Mas o que de facto me despertou e incendiou a inquietação de jovem deslumbrado à época, foram os anos férteis de 70, com o Festival de Cinema, que trazia à Figueira em cada fim de verão os sortilégios suavede Setembro, que o João Gonçalves teve a felicidade de viver e relembrar a partir daquele olhar do mar imenso do muro frente ao Grande Hotel.Mais tarde a Figueira veio a ser palco de algumas euforias do regime, desde a rodagem do Citroen até à constituição/excitação de uma espécie de Marbella Atlântica. Como indefectivel seguidor do Portugal dos Pequeninos, estarei hoje no Casino para o ouvir e felicitar.Há, e já agora, experimente, se puder, os peixes e mariscos da Rosa Amélia, irmã e rival da D. Celeste, que para além da gastronomia pode cruzar-se com a protagonista que lhe fará as honras da casa e um pouco da história popular de Buarcos e Figueira.

Por João Saltão

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A MODA DOS ÓCULOS DE MASSA



A moda dos óculos de massa
 É sabido que as estratégias comerciais mais ou menos globais, determinam os ditames da moda, potenciando sobremaneira o uso e a disseminação dos mais diversos “adressos” (tipo praga), numa lógica de pertença e/ou representação social (estar na moda), e que arrasta imensos cidadãos, independentemente da sua classe social, para lojas e centros comercias, na busca do seu “signozinho de valor” (autentico ou contrafacto), na forma de peças de vestuário/objectos “de marca” ou não, mas sempre dentro “da onda que está a dar”.

Vem isto a propósito de ter reparado que, há uns anos a esta parte, se disseminou por toda essa Europa global, designadamente Portugal, o uso crescente e recorrente de óculos de correcção visual, caracterizados por armações ditas de “massa”, de uma cada vez maior densidade, cores fortes, formato e sobretudo de uma grande superfície lateral e frontal de material denso e opaco, que de forma tão assentuada e exuberante, suporta as tão singelas e transparentes lentes que servem para milhões de pessoas poderem ver mais nítida e confortavelmente a realidade que as rodeia.

Tal moda transformou-se numa praga global que atinge indiscriminadamente homens, mulheres (em maior número), jovens, idosos e crianças, ocultando e deformando rostos suaves e delicados, expressões de emoção e sedução, belezas raras e agrestes, olhos e olhares que só se sentem e pressentem nas suas mensagens subliminares, quando são visíveis em rostos limpos de armações, ou através de lentes cristalinas que quase não se notam de tão discretas que são.

São da moda, de massa negra, densa, castanha, bordeaux, mas sempre carregados, com hastes laterais crescendo em largueza da ponta das orelhas até às lentes, ocultando as laterais da face, tais palas de equídeos que só deixam olhar para a frente, encaixando as expressões de tal forma, que os seus portadores por vezes parecem “zombies” que nos olham de forma estranha e alienada.

Óbviamente, que nada tenho contra os ditames do mercado e da moda e muito menos ao livre arbítrio dos cidadãos, na escolha e uso dos adereços e objectos que muito bem entendem, mas será que sob o ponto de vista da saúde e acuidade visual, ao nível da abrangência e amplitude de visão lateral e mesmo frontal, foram realizados todos os estudos que permitam concluir que o uso deste tipo de óculos não prejudicará a visão dos seus portadores?

Será que o princípio inalienável do funcionamento dos mercados que, entre outras práticas, dita a obsolescência e diminuição dos ciclos de vida dos produtos, ao inovar no design (e por consequência vender mais), fala mais alto do que a saúde e acuidade visual?

Enquanto não esclarecer esta matéria, com estudos comprovados nos domínios da oftalmologia, optometria e demais especialidades, mantenho a questão em aberto. Prometo escrever aqui as conclusões que resultarem daquela inquietação/investigação na (óptica) da física, porque sobre a minha inquietação estética, relativa ao uso e abuso de óculos de massa pesados e largos, abstenho-me de opinar, porque cada um usa o que muito bem lhe aprouver. Por mim, que uso óculos desde os 10 anos, continuarei com as minhas singelas armações metálicas de sempre, que me permitem, também, ver o que se passa ao(s) meu(s) lado(s).
João Saltão

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Portugal "líder mundial a repensar a educação para o século XXI"

Na semana passada li a notícia que se segue, a qual comento no fim do respectivo texto.

Educação Portugal "líder mundial a repensar a educação para o século XXI" -especialista canadiano
Lisboa, 25 Jun (Lusa) - O especialista canadiano em tecnologia Don Tapscottaponta Portugal como um exemplo a seguir na educação, elogiando oinvestimento em computadores individuais nas salas de aulas.
Num artigo de opinião publicado no blogue Huffington Post - onde já escreveuBarack Obama -, Tapscott dirige-se directamente ao presidente dos EstadosUnidos da América: "Quer resolver os problemas das escolas? Olhe paraPortugal!".
Na opinião de Tapscott, o "modesto país para lá do Atlântico", que em2005 via a sua economia "abater-se", está a tornar-se no "líder mundial arepensar a educação para o século XXI".
A presença de computadores nas escolas é "só uma parte" dessa "campanha dereinvenção", frisa Tapscott, que aponta a "criação de um novo modelo deensino" como a "maior tarefa".
"Não é fácil mudar o modelo de ensino. Aliás, essa é a parte difícil.É mais fácil gastar dinheiro, como Portugal fez, a pôr Internet nas salas deaula e equipar os alunos com computadores", afirmou, acrescentando ainda que"é demasiado cedo para avaliar o impacto na aprendizagem", até porque osestudos sobre a presença de computadores nas aulas foram "inconclusivos".
"Os professores que enfrentam uma sala de aulas cheia de miúdos comcomputadores precisam de aprender que já não são os especialistas no seudomínio: a Internet é que é", escreve Tapscott.
Aludindo à sua experiência numa sala de aulas numa estadia em Portugal,Tapscott conta como os alunos recorreram à Internet para resolver umaquestão colocada pelo professor: para saber o que era um equinócio, gruposde alunos pesquisaram a informação e quem a descobriu primeiro explicou-aaos colegas".
"Estavam a colaborar, estavam a trabalhar ao seu próprio ritmo e malreparavam na tecnologia, no propalado computador portátil. Era como ar paraeles, mas mudou a relação que tinham com o professor. Em vez de se agitaremnas cadeiras enquanto o professor dá a lição e escreve apontamentos noquadro, eram eles os exploradores, os descobridores e o professor o seuguia", descreve Don Tapscott.
Este modelo, afirma, permite aos professores "descer do palco e começar aouvir e a conversar em vez de fazer sermões" e encoraja o pensamento críticoe a colaboração.
Em oposição, nos EUA, a aprendizagem é "unidireccional", o que faz com queos alunos, que em casa vivem na era digital, com a Internet, os jogos e ostelemóveis, estejam "aborrecidos na escola".
"As salas de aula americanas precisam de entrar no século XXI.Milhares de professores concordam com isto", afirma Don Tapscott, lembrandoque este ano "importantes grupos da área da Educação"pediram a Barack Obama e ao congresso um investimento de 10 mil milhões dedólares para melhorar a tecnologia na sala de aula e garantir que osprofessores sabem usar computadores eficientemente".
Don Tapscott, professor na Universidade de Toronto e membro do grupo dereflexão nGenera Insight, escreveu vários livros sobre tecnologia e visitouPortugal em Abril deste ano.
O Huffington Post congrega blogues, notícias e artigos de opinião.Além de políticos, actores e académicos contribuem para o site.
APN.
Fonte: Agência LUSA


Já tinha lido este artigo, com cujo conteúdo concordei em parte, uma vez que, enquanto ainda especialista em comunicação educacional multimédia, continuo a defender que falta fazer quase tudo na generalização do EAC (Ensino Assistido por Computador) nas escolas portuguesas e de muitos outros paises incluindo os EUA, designadamente no uso das tecnologias em sala de aula visando a promoção de aprendizagens colaborativas.

Cito como exemplo a utilização/simulação de aplicações para estudo de funções (tão úteis no ensino e aprendizagem das leis da física e da matemática), através de uso de software próprio, ou tão simplesmente do uso das imensas potencialidades do Excel, para já não falar no diverso software existente para o ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras (tipo "wall street institut"), constituem exemplos de boas práticas de software educativo que nada têm a ver com algumas das aplicações das editoras (conteúdos e jogos) bem como de uma grande parte das edições multimedia do ME.

Ou seja, há mais vida (pedagógica-didáctica) para além do uso livre da Internet na sala de aula, acção que vale o que vale, quando não devidamente monotorizada pelos docentes formados/instruídos para o efeito.

Acontece que para a eficacia pedagógica do uso de metodologias EAC, não é só necessário salas de aula apetrechadas com computadores. Mais importante ainda é contar com a Administração Educativa e os professores disponíveis para essa mudança de paradigma, ou seja, passar da máquina facilitadora do acesso ao conhecimento para a máquina facilitadora da construção do conhecimento, onde o professor terá de ser um bom conhecedor da máquina/ferramenta, ou melhor, das potencialidades do software educativo que explica o uso da máquina.

Não obstante o trabalho desenvolvido nestes últimos anos por alguns especialistas do meio académico em colaboração com os serviços competentes do ME, na concepção e uso de software educativo, tem-se verificado que os decisores políticos, apostaram muito mais no apetrechamento tecnológico das escolas (computadores/banda larga etc.), porque é notóriamente mais visível e eventualmente mais barato, além de demorar menos tempo a "implementar", do que a investigação/investimento/formação na concepção e aplicação pedagógica-didactica de software educativo para generalização e uso nas escolas portuguesas.

Sendo importante e incontornável o uso das tecnologias nas aprendizagens, não é menos importante a mudança de paradigma que emerge do fosso que separa o acesso fácil a conteúdos via internet por parte de alunos e professores, e a construção do conhecimento através do uso de aplicações que integram informação/conteúdos, metodologias de ensino e aprendizagem, bem como a existência de professores detentores de competencias técnico-didacticas adequadas.

Ou seja, continua a ser mais fácil dar o peixe em vez da cana de pesca.

João Saltão

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Currículo, competências e prática política

O Estado, através dos Governos e das Administrações que o suportam, tende inexoravelmente para se colocar nos antípodas dos modelos de desenvolvimento sustentado, pelo facto de, entre outras razões sobejamente públicas e publicadas, não aplicar aos seus potenciais decisores (leia-se membros do Governo, Altos Funcionários da Administração Pública, Gestores Públicos etc.), alguns dos princípios básicos de gestão de recursos humanos, nomeadamente ao nível da identificação de perfis de competências adequados para o exercício daqueles cargos.

Nos últimos anos, salvo honrosas excepções de indigitação e nomeação de cidadãos, que pelo seu perfil político, cultural, humanístico, técnico etc., têm contribuído para a consolidação de políticas desenvolvimentistas da governação, o certo é que, em grande parte, os critérios de afectação de indivíduos para os mais diversos cargos do poder político e administrativo do país, baseiam-se em meras relações pessoais de proximidade, justificadas pela presunção da confiança pessoal e/ou política.

Tais nomeações para os mais diversos lugares de assessoria dos Gabinetes e para os cargos da Administração Pública, não são por si só um mau princípio. Mesmo que fale mais alto o conhecimento de proximidade de quem nomeia em relação a quem é nomeado e vice-versa (leia-se amizade e/ou confiança pessoal), ou a própria “fidelidade” partidária (quando existe), afigura-se necessário que sejam consideradas as competências de saber, saber-ser e saber-fazer necessárias para o exercício de funções de serviço público.

Basta consultar o Diário da República e ler o teor de alguns Despachos de Nomeação de assessores e altos funcionários (onde é obrigatório mencionar currículo resumido do nomeado), para se constatar que, por ex.º, um jurista que apresenta como experiência profissional relevante no seu currículo, uma avença com uma pequena empresa de comercialização automóveis do interior centro, passa a ter competências para poder ser Presidente de Instituto Público, Director Geral ou mesmo governante.

Por outro lado, os serviços da Administração Pública, não obstante apresentarem preocupantes sinais de desmotivação e por consequência baixa produtividade, também integram nos seus quadros funcionários com provas dadas de qualificação e competência, que poderiam ser chamados a participar na gestão dos serviços, uma vez que a legislação em vigor só prevê formação especializada para chefias intermédias, não sendo necessária para os cargos dirigentes de topo.

Acontece que os serviços, ao se aperceberem das fragilidades do nomeado no que respeita a questões como a noção de serviço público, liderança, competência, conhecimento de dossiers, etc., nem sempre se envolvem com motivação e empenhamento, quando se apercebem da “passagem” do dirigente nomeado pelos serviços, ditada ao ritmo das idiossincrasias do nosso sistema político. Camões, na sua imensa sabedoria dizia que “chefes fracos fazem fracas as fortes gentes”.

Os nossos parceiros europeus já assumiram há muito tempo a importância das qualificações e dos perfis de competências na gestão dos recursos humanos ao nível da Administração Pública da mesma maneira que a assumem para a gestão das organizações do sector privado.

Para o desenvolvimento de Portugal é urgente uma mudança de paradigma na gestão da “coisa pública”

João Saltão.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"NO FIM FICAREI SÓ"

«Poderíamos dizer que [Michaux] teve de esperar pelo meio da vida para fazer essa mesma experiência da perda que para muitas pessoas começa logo no dealbar da existência, ou seja, o descobrimento traumático de que o outro íntimo se tornou inalcançável. e que, por conseguinte, uma pessoa tem de enquistar-se em si mesma e endurecer-se. De modo geral, resulta válida a sabedoria de que, só poderá converter-se num indivíduo independente, aquele que sabe de uma vez por todas ou que quer saber o seguinte:  
No fim, ficarei só.» Peter SloterdijkNem

sexta-feira, 24 de abril de 2009

ESTRATEGIA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO

 

O Diário de Notícias publica na edição de hoje o artigo de opinião que escrevi subordinado ao tema "Uma estratégia nacional de desenvolvimento".

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Contributo para o exercício da cidadania dentro e fora da lógica politico-institucional vigente.

Após a publicação na Visão-Online do post que aqui escrevi no mês passado, sobre o exercício da cidadania e participação no quadro da actual lógica politico-partidária, suscitei algumas reacções/comentários interessantes que se podem ler em:

http://aeiou.visao.pt/gen.pl?mode=thread&fokey=vs.stories/502529&va=12799&p=stories&op=view#12799

Começa a emergir a necessidade de encontrar outras formas de participação na "coisa pública" à luz dos princípios constitucionais em vigor com algumas alterações de fundo.

segunda-feira, 13 de abril de 2009


 Hoje o Lusitânea Expresso viajou até à Figueira da Foz para visitar a Rosa Amélia vista por um grupo de alunos de uma escola secundária, ou como a autenticidade pode evoluir para um protagonismo construtivo que dá visibilidade à cidade.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Al ANDALUZ
































ANDALUZIA
“Para saber quiénes somos de veras (los andaluzes) hay que mirar mejor.
La cultura e arquitectura andaluzas – como demuestra la mezquita de Córdoba – son las premulsumanas, com influencias de lo que luego se considero lo mejor: lo oriental, heredero del legado bizantino y del persa. Los árabes, gente del desierto, desconocían la navegación y el refinamiento y las hermosas contrucciones (habitaban en tiendas sobre arena) , y su mission era la de convertir, no la de transmitir culturas que los superaban.
Aquí, en Andaluzia donde nacimos los nazaríes, existió ya Tartesos, un pueblo cuyas leyes se escribieron en verso, y ni siquiera Roma la civilizó, sino al contrario: Andaluzia le dio sus mejores emperadores y pulió a sus soldados; como le dio luego al Islam su más lograda arquitectura y su sabiduría literária y científica; como le dio a Europa zéjeles y jarchas y moaxacas para que sus trovadores se inspiraran.
En Andaluzia – conquistadora siempre de sus conquistadores, cuanto más de visitantes enamoradizos – convivieron todas las culturas, y en ella se fertilizaron unas a otras y procrearon. Por culpa de la intransigencia de los cristianos por un lado, y de la intransigencia de los almo rávides por outro, se apagou la hoguera maravillosa de una Península que, gracias a los andaluzes, fue un faro deslumbrante.

in
Antonio Gala
EL MANUSCRITO CARMESÍ



Versos de amor mouro

Husayn, me murmuró (Boabdil) al oído:

«Dueño mio – me dice mi amigo - ,
Cambia, hijito, de amor»
«?Cómo hacerlo, si tú eres mi mundo
Y mi tiempo de flores?

?por qué dices que yo soy tu dueño?
Esa palabra sobra.
Dime sólo cariños y arrullos;
Hazme sólo arrumacos.
Lo que quieras
quitar de respeto,
Me lo añades de amor.
Aún com leche en los lábios, no tengas

En el pecho alquitrán.»
In
EL MANUSCRITO CARMESÍ
António Gala

terça-feira, 31 de março de 2009

Lusitânea Expresso

O "Lusitânea Expresso" de inspiração nacionalista





   



 


A lusitaneidade "en color", segundo António Ferro (propaganda do Estado Novo)


















O Lusitânea Expresso "gris"

















O Lusitânea Expresso travestido de modernidade












 


Lusitânea Expresso - A alma da Nação e a minha



"ESPAÑA ANTE SUS FANTASMAS": GILES TREMLETT




Para quem se interessa plo Século XX espanhol. Uma visão isenta e apaixonada dos acontecimentos mais marcantes da vida social e política do país vizinho, desde a devastadora Guerra Civil e os desenvolvimentos da sociedade espanhola alicerçados no "Franquismo", até à emergência dos nacionalismos, passando pelo "pacto del olvido" e da construção de fenómenos sócio-urbanísticos como Benidorm.
Imperdível para todos "los aficionados" de España, como yo.


João Saltão

segunda-feira, 30 de março de 2009

CONTRIBUTOS PARA UMA ESTRATÉGIA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO (END)

Considerando que a aplicação reactiva de medidas de política económico-social à emergência de acontecimentos não planeados e á lógica dos calendários eleitorais, não corresponde a um modelo planeado e sustentado de desenvolvimento, deverá ser definida pelo Governo a curto/médio prazo, uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento (END), que permita identificar áreas de intervenção prioritária, com base em estudos já realizados ou a realizar, onde se assuma com objectividade e realismo quais os sectores económicos/”clusters”, que poderão criar riqueza, desenvolvimento e emprego, inovando ao nível de soluções de empreendedorismo sustentado, emanadas das empresas e da sociedade civil.

Consideram-se aqui sectores económicos estratégicos o turismo, as energias renováveis, as tecnologias avançadas de aplicações informáticas para a indústria e serviços, a (re)construção da rede ferroviária nacional (em decadência à excepção da Linha do Norte e das linhas suburbanas da Região Metropolitana de Lisboa), bem como a aposta na reabilitação do parque habitacional e patrimonial das cidades.

Considerando que a saturação do parque edificado para habitação (544 mil fogos devolutos, censo de 2001), decorrente de uma lógica de “empreendedorismo fácil” e de rápido retorno financeiro, no sector da construção civil e obras públicas, baseado na especulação imobiliária (envolvendo promotores e autarquias) e na baixa qualificação dos activos do sector, deram origem a um excesso de oferta de habitação, propõem-se as seguintes medidas de intervenção:
ü Criar medidas para a redução do volume de construção de novos fogos para habitação, através de regulação articulada entre o Governo, CCDRs e autarquias, visando o reforço da procura do já vasta oferta do parque edificado, não obstante o normal funcionamento das regras de mercado de compra/venda e arrendamento de fogos;
ü Criar condições para “(re)encaminhar” o empreendedorismo, “knowHow” e capacidade instalada do tecido empresarial do sector da construção civil (associações empresariais, empresas, meio académico da área da engenharia, governo e autarquias locais), para as áreas prioritárias definidas na Estratégia Nacional de Desenvolvimento (END), nomeadamente, reabilitação do parque habitacional e património edificado, construção de infra-estruturas de suporte ao desenvolvimento do turismo, rede de transporte ferroviário entre as principais cidades e intervenção/renovação urbana (Projecto Pólis);

Consideram-se ainda como medidas de intervenção prioritária no âmbito da Estratégia Nacional de Desenvolvimento, a clara assumpção dos poderes públicos, da importância vital do investimento urgente na construção/reabilitação da rede ferroviária nacional- intercidades, em deterimento da continuação da política de construção de infra-estruturas rodoviárias, designadamente auto-estradas, mantendo tão só o TGV Lisboa – Madrid, deixando cair os outros projectos TGV como a ligação Lisboa – Porto.

Finalmente, e no que diz respeito à Educação e em particular ao ensino superior, deverá ser repensado o modelo de financiamento do ensino superior público, por forma a acabar com o modelo actual (baseado no financiamento por n.º de alunos/curso/instituição de ensino superior) e privilegiar uma outra lógica de financiamento das Universidades e Institutos Politécnicos, baseada no n.º de diplomados inseridos no mercado de trabalho por iniciativa do estabelecimento de ensino em colaboração com as empresas e instituições.

No que respeita ao ensino não superior deverá ser (re)colocada a problemática da qualidade e oportunidade das qualificações profissionais que preparam para o mercado de emprego, uma vez que a lógica quantitativa actual, baseada no alargamento crescente das ofertas de cursos profissionais em escolas públicas, cai pela base, devido à continuação do uso de uma matriz curricular de natureza “licealizante” que contempla uma carga horária elevada (80%) de formação tórica em sala, em deterimento das aprendizagens profissionalmente qualificantes, realizadas em prática simulada e em contexto real de trabalho.
Sugere-se, assim, que se recentre o modelo dos cursos profissionais ministrados em escolas públicas e privadas por forma a evoluir para uma matriz idêntica ao sistema dual em alternância escola-empresa (tipo – Aprendizagem/IEFP), com reforço das componentes de formação em pratica simulada e em contexto real de trabalho, com base numa oferta desenhada à luz de um verdadeiro diagnóstico das necessidades de formação inicial e cont, identificado pelas associações empresariais, sindicais, empresas, autarquias serviços desconcentrados do emprego, educação e qualificação.

Códigos de conduta da profissão taxista





















Óbviamente que não irei generalizar o commentário que se segue, a todos os profissionais do ramo, uma vez que, como em qualquer grupo profissional, existem bons, regulares, maus e muito maus profissionais a exercer a ctividade.
Acontece com bastante frequência, quando viajamos de táxi em percursos curtos, nomeadamente a partir do aeoroporto, somos confrontados com a irritabilidade de alguns taxistas, verbalizando por vezes de forma deselegante o facto de fazerem um itinerário curto, para já não falar de um sem número de práticas, de todos conhecidas, que alguns destes profissionais aplicam a incautos que assumem não conhecer a cidade ou o destino da corrida.
Por experiencia pessoal e pelo relato de amigos nacionais e estrangeiros, tenho verificado que alguns taxistas não primam pelas regras e comportamentos de civilidade que seria de esperar de cidadãos que prestam um serviço público e remunerado à comunidade. Quantos de nós já ouvimos impropérios e atitudes incorrectas por alguns destes cidadãos, que se auto-considerarem (supostamente) detentores de privilegios de circulação nas ruas de Lisboa?
Houve tempos em que o organismo do Estado responsavel pela qualificação da população activa, decidiu criar um perfil de competencias e qualificações destes profissionais. Para tal criou um perfil de competencias e o respectivo referencial de formação, que incluia, entre outros domínios, Relações Interpessoais, Ética e Códigos de Conduta no exercício da actividade de taxista etc.
Não sei quantos CAPs (Certificados de Aptidão Profissional) o sistema atribuiu a estes cidadãos, nem sei se a maioria se submeteu à frequencia dos respectivos cursos de formação, necessarios para obter o CAP. O certo é que muito falta fazer para que, o acto de apanhar um táxi, não seja stressante para o utilizador que não conhece a cidade e/ou o destino pretendido, sem estar a pensar na despistagem das artimanhas que estarão por trás do condutor, para assegurar um serviço mais rendível.
Termino saudando os bons profissionais do ramo que também existem na praça, e que prestam um excelente serviço aos cidadãos em geral, com códigos de conduta, simpatia e profissionalismo qb.
Há ... já agora custa-me a acreditar, que exista um eventual "loby" no sector, que impeça ou obstaculise a construção do Metro até ao aeroporto, para manter o grosso do fluxo dos passageiros entre aquela infraestrutura e Lisboa e tudo à volta. Nestes tempos já nada me espanta.
João Saltão

A ineficácia do exercício da autoridade em Portugal























A Rua das Janelas Verdes em Lisboa, estando inserida numa zona de grande qualidade urbana e paisagística, pelo seu rico património arquitectónico, o qual contempla, para além do Museu Nacional de Arte Antiga, algumas embaixadas e unidades hoteleiras de charme, tão apreciadas por visitantes estrangeiros e nacionais, constitui–se como uma artéria de prestígio, ainda mais com a reabilitação e construção de imóveis de grande qualidade arquitectónica, ocorrida nestes últimos anos.

No entanto nada disto impediu que, por aquelas bandas fossem proliferando e prosperando uma quantidade apreciável de bares e discotecas nos pisos térreos de edifícios de habitação (alguns deles não licenciados para actividade), os quais atraem no início da noite centenas de adolescentes, mobilizados pela dinâmica gregária de shots, cevejas e afins a preços baixos, transformando aquela artéria até altas horas, num espaço concentracionário, praticamente intransitável por veículos e peões, nomeadamente nas noites de quinta, sexta e sábado, para além da alteração da ordem pública muitas vezes verificada.

São incontáveis as vezes que os moradores têm chamado as autoridades, nomeadamente Polícia de Segurança Pública e Polícia Municipal, para repor a normalidade da ordem pública, limitando-se os respectivos agentes a tomar conta das ocorrências, demitindo-se da tomada de qualquer acção, remetendo as responsabilidades para outras instâncias administrativas, nomeadamente os serviços competentes da Câmara Municipal de Lisboa.

Acresce o problema do ruído emanado das aparelhagens sonoras e do ruído dos próprios utentes quer no interior quer no exterior daqueles espaços, o qual se transmite pelos prédios de habitação onde estão instalados alguns bares, impedindo o descanso dos seus moradores, que perante a não actuação das autoridades policiais, tem vindo a apresentar há 6 anos a esta parte, sucessivas queixas e denuncias aos serviços competentes da Câmara Municipal de Lisboa e ultimamente à ASAE.

Sabe-se que alguns daqueles estabelecimentos nem sequer estão licenciados para o exercício da actividade, nem tão pouco reúnem as condições de salubridade (isolamento de ruído, ventilação etc.) para poderem funcionar. Todos estes factos foram já transmitidos há vários anos às autoridades referenciadas, e nada foi feito, nem sequer qualquer resposta às petições apresentadas por parte dos moradores, como manda o código do procedimento administrativo.

Conclui-se assim, que a inércia e inépcia dos serviços e das autoridades, “o laisser faire laisser passer” e a indiferença, para não dizer desrespeito pela legalidade, pelos direitos, deveres e praticas da cidadania, fazem com que, também pelos motivos aqui apresentados (à margem dos grandes escândalos políticos e financeiros do momento), Portugal cada vez mais se pareça com uma república de plátanos do que de um Estado de Direito.

João Saltão

CARTA ABERTA AO PROF. JOSÉ HERMANO SARAIVA



















Hoje, inauguro os meus escritos no blog com uma carta aberta ao prof. José Hermano Saraiva, justamente no dia do seu aniversário (03 de Setembro), apresentando-lhe aqui os meus parabens, o meu respeito e admiração.
Lisboa, 3 de Setembro, de 2007

Faz muitos anos que acompanho com regularidade a vasta e notória produção escrita e televisionada do Prof. José Hermano Saraiva, a qual denota uma grandiloquente e superior sensibilidade para entender e divulgar aspectos essenciais da história e da cultura portuguesas.

Aos homens da minha geração (tenho 52 anos) foi-lhes exigida uma enorme capacidade de adaptaçao aos chamados “ventos de mudança” que sopraram desde o Maio de 68 francês, até à inovação/deslumbramento tecnológico da contemporaneidade, passando pela revolução de Abril de 74 e por todas as implicações políticas e sócio-culturais na vida de cada um e de toda a sociedade portuguesa.

Por um lado, herdámos uma educação de valores rica em principios e práticas de preceitos sociais instituídos, e por outro ainda fomos a tempo de apanhar o comboio do desenvolvimento económico, social e tecnológico. Esta conjugação de factores deu lugar a cidadãos que conciliam experiência e competências de saber-saber, saber-ser e tambem de saber-fazer, à luz de uma responsabilidade dita “antiga”, com a capacidade para inovar segundo as novas realidades emergentes do mundo socio-laboral, consubstanciada no uso e fruição nas novas tecnologias. Ou seja, por um lado não somos suficientemente “idosos” para resistir à mudança, e por outro somos suficientemente “jovens” para não deixar de protagonizar o mundo da inovação tecnológica e dos novos desafios da modernidade.

Vem isto a propósito de algumas discussões havidas recentemente com amigos acerca do valor intrínseco (essência/personalidade/valores/convicções/carácter/determinação etc.) das pessoas no seu tempo, independentemente das conjunturas dos momentos sociais e políticos (existência/participação social e cívica/realizações sócio-profissionais, obra feita etc.), e do reconhecimento da personalidade e da obra do cidadão José Hermano Saraiva, à luz dessa dicotomia essência/existência ao longo da sua preenchida vida pública.

É minha convicção após a leitura do seu Álbum de Memórias, que o Prof. José Hermano Saraiva pelo seu conhecimento e experiência, quer da gestão da causa pública desde os idos 60, quer do humanismo subjacente à investigaçao e divulgaçao da cultura e história de Portugal ao longo do seu percurso de investigador, pedagogo e professor, mais do que ninguém, está em condições de entender e explicar como se pode construir um percurso de vida e uma obra tão profícua, suportados por duras jornadas de trabalho e perseverante afirmação das suas convicções, apesar de, algumas vezes, ter passado por processos de penosa sobrevivência e incompreensão, para não falar dessa tão vã e vil inveja portuguesa, despertada por legítimos protagonismos, que por vezes cerceiam tantos talentos que ousam pensar e agir para lá do que dita o “establishment” académico ou o politicamente correcto.

Mesmo na transição/mudança abrupta dos regimes parece que também há filhos e enteados. Um homem que dedica o seu trabalho, a sua capacidade de realização e o seu talento ao serviço da causa pública, como interventor político por vezes crítico, promovendo a investigação e divulgação da língua e cultura portuguesas dentro e fora de Portugal, contribuindo para a inovação pedagógica aplicada ao sistema de ensino, entre outros desempenhos, numa conjuntura pouco receptiva a mudanças e que, apesar de todas as vicissitudes por que passou no final do antigo regime (e no início do novo), não desistiu do sonho de enaltecer os valores da história e da cultura do seu pais, nos novos tempos (portas) que Abril abriu.

Embora o Prof. José Hermano Saraiva tenha granjeado estima e consideração de muitos milhares de portugueses, principalmente devido à sua intervenção mediática, que no conteúdo e na forma encanta todos os que se interessam pela história e cultura de Portugal, é altura da sociedade civil e/ou poderes instituídos lhe reconhecerem, com as devidas homenagens, a sua dimensão de investigador, pedagogo e homem de cultura.

A democracia e os diversos “establishment” que dela decorrem, não devem ser preconceituosos com aqueles que a seu tempo, com as suas competências e com a sua capacidade de realização, deram ao país aquilo que o regime lhes permitia que dessem, com mais ou menos talento. Nem todos tiveram a suficiente coragem, energia e iniciativa de discordar e combater o regime, como muitos fizeram à custa da sua própria liberdade e integridade. Já lhes foi feita honra e justiça, e bem, por meritoriamente terem lutado nas diversas fileiras que ajudaram a construir o Portugal democrático.

O nome do Prof. José Hermano Saraiva, pela sua obra, e pela sua longa vida de realizações em prol da história e cultura de Portugal, também deverá ser inscrito nas tábuas dos portugueses ilustres, e que o seu exemplo de perseverança e vigor sirva de alento aos que ainda almejam sonhar por uma vida com realização pessoal, numa sociedade que promova e assegure o reconhecimento do mérito e da competência.

Bem-haja por existir, por ser quem é e pela sua obra.


João Saltão