A MODA DOS ÓCULOS DE MASSA



A moda dos óculos de massa
 É sabido que as estratégias comerciais mais ou menos globais, determinam os ditames da moda, potenciando sobremaneira o uso e a disseminação dos mais diversos “adressos” (tipo praga), numa lógica de pertença e/ou representação social (estar na moda), e que arrasta imensos cidadãos, independentemente da sua classe social, para lojas e centros comercias, na busca do seu “signozinho de valor” (autentico ou contrafacto), na forma de peças de vestuário/objectos “de marca” ou não, mas sempre dentro “da onda que está a dar”.

Vem isto a propósito de ter reparado que, há uns anos a esta parte, se disseminou por toda essa Europa global, designadamente Portugal, o uso crescente e recorrente de óculos de correcção visual, caracterizados por armações ditas de “massa”, de uma cada vez maior densidade, cores fortes, formato e sobretudo de uma grande superfície lateral e frontal de material denso e opaco, que de forma tão assentuada e exuberante, suporta as tão singelas e transparentes lentes que servem para milhões de pessoas poderem ver mais nítida e confortavelmente a realidade que as rodeia.

Tal moda transformou-se numa praga global que atinge indiscriminadamente homens, mulheres (em maior número), jovens, idosos e crianças, ocultando e deformando rostos suaves e delicados, expressões de emoção e sedução, belezas raras e agrestes, olhos e olhares que só se sentem e pressentem nas suas mensagens subliminares, quando são visíveis em rostos limpos de armações, ou através de lentes cristalinas que quase não se notam de tão discretas que são.

São da moda, de massa negra, densa, castanha, bordeaux, mas sempre carregados, com hastes laterais crescendo em largueza da ponta das orelhas até às lentes, ocultando as laterais da face, tais palas de equídeos que só deixam olhar para a frente, encaixando as expressões de tal forma, que os seus portadores por vezes parecem “zombies” que nos olham de forma estranha e alienada.

Óbviamente, que nada tenho contra os ditames do mercado e da moda e muito menos ao livre arbítrio dos cidadãos, na escolha e uso dos adereços e objectos que muito bem entendem, mas será que sob o ponto de vista da saúde e acuidade visual, ao nível da abrangência e amplitude de visão lateral e mesmo frontal, foram realizados todos os estudos que permitam concluir que o uso deste tipo de óculos não prejudicará a visão dos seus portadores?

Será que o princípio inalienável do funcionamento dos mercados que, entre outras práticas, dita a obsolescência e diminuição dos ciclos de vida dos produtos, ao inovar no design (e por consequência vender mais), fala mais alto do que a saúde e acuidade visual?

Enquanto não esclarecer esta matéria, com estudos comprovados nos domínios da oftalmologia, optometria e demais especialidades, mantenho a questão em aberto. Prometo escrever aqui as conclusões que resultarem daquela inquietação/investigação na (óptica) da física, porque sobre a minha inquietação estética, relativa ao uso e abuso de óculos de massa pesados e largos, abstenho-me de opinar, porque cada um usa o que muito bem lhe aprouver. Por mim, que uso óculos desde os 10 anos, continuarei com as minhas singelas armações metálicas de sempre, que me permitem, também, ver o que se passa ao(s) meu(s) lado(s).
João Saltão

Comentários

  1. tem toda a razão. Para além de achar feio, no Verão deve ainda fazer mais calor do que as nossas "singelas armações metálicas". Sou a única no emprego a usar armações metálicas.

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  2. Pode-me dizer onde comprar oculos de massa tipo ray ban ?
    Só qe sem as lentes de cor?

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