sábado, 13 de dezembro de 2014

O PENSAMENTO LÚCIDO, ESTRUTURADO E ORGANIZADO DE JPP SOBRE A CONJUNTURA


















O COMBATE POLÍTICO DE SÓCRATES NÃO É O NOSSO
Por JPP no Público, sublinhados meus.


Agora que José Sócrates entra no seu último grande combate políticoque é como ele olha para a sua prisão e para as acusações que lhe são feitas – e quando o ano eleitoral vai ser dominado pelo confronto entre os que vão usar a sua “culpabilidade” contra o PS, exigindo demarcações e purgas, e os que vão ver na prisão de Sócrates uma última manobra dos “malandros” que nos governam – duas teses politicamente fortes – resolvi andar para trás, para a memória.

Deixei de lado o argumento “responsável” de que “o que é da Justiça é da Justiça” e “não se deve misturar Justiça e “política”, porque isso pouco mais é do que “linguagem de madeira”, langue de bois, que se pode recitar (e desejar), mas que será varrida pela vida pública concreta que em democracia não é asséptica e inclui tudo: vinganças e amizades, desejos e medos, suspeitas e certezas, imagens e factos. Como é que chegamos aqui? Para quem escreve todas as semanas nos jornais isso significa: viste o que aí vinha?

No livro que publiquei sobre os “dias do lixo” não os comecei por Passos Coelho, Relvas, Gaspar e companhia, mas pelos últimos anos de José Sócrates. Foi aí que começaram os “dias do lixo”. No dia 16 de Outubro de 2010, governava Sócrates, escrevi no Público um conjunto de frases para os “tempos de hoje”. Peço desculpa de me citar, mas a gente também tem de ser avaliada pelo que disse, com data. 

 As frases eram dirigidas a Sócrates, a um Sócrates que tinha ganho as eleições e estava em plena loucura de esbanjamento, e a Passos Coelho, a um Passos que tinha então um discurso contra Manuela Ferreira Leite muito próximo do de Sócrates. Sócrates caminhava velozmente para o PEC IV e a bancarrota, Passos Coelho tinha posições pouco distintas de Sócrates, recusando a austeridade do PC IV, a última que se poderia ter tido sem troika, porque a achava “excessiva”. Passos Coelho prometia não aumentar impostos, nem despedir ninguém, nem cortar subsídios de Natal, nem tocar nas reformas, mas apenas atacar as “gorduras” do Estado. 

Ambos estavam pior do que ceguinhos. Quando falo a seguir de austeridade, falo contra Sócrates e Passos Coelho. E quando elogio a determinação sobre o défice, a dívida, não falo do Passos Coelho de 2012-4, porque os problemas que ele defronta hoje foram em grande parte criados por ele próprio, pelo modo como teve de lidar com o descalabro orçamental gerado pelas despesas sociais resultado da “surpresa” do desemprego e pela depressão na economia. Como escrevi então, a boa política é “a que escolhe as melhores medidas de austeridade e evita as más medidas de austeridade”. Não foi o que aconteceu, a “austeridade” foi conduzida por um programa ideológico, uma profunda ignorância do país e muita incompetência – por isso, os problemas que defrontamos hoje são fruto de Sócrates e Passos Coelho em conjunto. 

Retirei uma ou outra frase, não porque não as pudesse incluir, mas para economia da citação, já de si bastante pouco económica. Serviam apenas para reforçar a frase anterior. Apesar de tudo isto hoje em 2014 parecerem trivialidades, regressem a esse ano de interregno, 2010, entre a vitória eleitoral de Sócrates e a sua demissão, e leiam o que se escrevia e dizia, do PS ao PSD, para comparar. 

Aqui vão algumas das frases de 2010, escritas muito antes da troika: 
   
"1. A crise económica, social e política não vai durar um ou dois anos, vai durar pelo  menos uma  década. Na melhor das hipóteses.    
 
2. O político que disser que as coisas vão melhorar na volta da esquina está a mentir.(…)  
3. Primeiro serão os salários, depois serão as reformas. (…) 
  
4. Nenhum imposto que subiu descerá tão cedo, se descer. 
 
5. Nenhum salário que foi cortado voltará a ser inteiro.   
 
6. Os mais pobres serão as vítimas principais, como sempre.  
 
7. A classe média é que conhecerá a maior queda de qualidade de vida.  
 
8. Algumas pessoas enriquecerão com a crise.  
 
9. A corrupção continuará florescente. (…)
 
10. A crise matará milhares de pequenas empresas. (…)  
 
11. As escolas tornar-se-ão mais caóticas. O clima de crise social é propício à indisciplina grave.(…)
 
12. A Saúde ficará bastante mais cara para todos.
 
13. A TAP pode não sobreviver à crise, a RTP sobreviverá. (…)  
 
14. No final da década os portugueses vão estar pobres e a caminho de ficarem ainda mais pobres. Se nessa altura a nossa situação da dívida e do défice estiver controlada, ganhamos a década. Se não, perdemos ainda mais.
 
15. O estado dos portugueses será de irritação política, na melhor das hipóteses. Na pior poderá haver violência. (…)  
 
16. Liberais e estatistas todos cortarão no Estado. Só não cortarão nas mesmas coisas. 
 
17. Os nossos direitos face ao Estado tornar-se-ão quase inexistentes. Face ao fisco quase nenhum direito sobreviverá.
  
18. A nossa privacidade desaparecerá. O Estado vai conhecer por onde andamos, o que compramos, o nosso dinheiro, as nossas prendas, tudo o que sirva para taxar. O Google conhecerá o resto.  
 
19. O fisco será a face do Estado mais próxima dos cidadãos e a mais odiada. (…)  
 
20. O desespero será um sentimento muito comum. Os ricos terão depressões, os pobres desespero.  
 
21. Esta década conhecerá na prática o fim dos direitos adquiridos. (…)
 
22. A única política que se pode considerar patriótica não é a que se afasta da austeridade para dar “folga” aos portugueses, mas a que escolhe as melhores medidas de austeridade e evita as más medidas de austeridade.
 
23. A maioria das medidas de austeridade que qualquer governo vai aplicar nos próximos anos é escolhida e decidida no exterior, pela Alemanha, pela UE, pelas agências de rating, pelo FMI, e pelos credores.
 
24. Poucos políticos actuais sobreviverão à década, mas isso não significa renovação.
 
25. A maioria dos políticos das novas gerações será profissional da política. Os seus verdadeiros cursos são nos partidos e fora terão apenas cursos de plástico para colocar o dr. e o eng. antes do nome.
 
26. Os partidos serão substituídos pelos aparelhos partidários; fechados sobre si próprios, tornar-se-ão comunidades de poder e com poder. 
  
27. Haverá cada vez mais familiares de políticos actuais nos lugares políticos. 
 
28. A crise de lugares, empregos, salários, benesses tornará a competição dentro dos partidos cada vez mais dura, visto que os partidos serão uma das saídas rápidas para aceder a um lugar remunerado, para que menos qualificações se exigem. (…)
  
29. As eleições partidárias internas serão cada vez mais competitivas, duras e agressivas. Os lugares são poucos e a fome muita.
 
30. Os grandes interesses organizados terão na prática um direito de veto sobre as principais medidas políticas. 

Este foi o mundo que Sócrates deixou e Passos Coelho continuou.  A minha última frase era: "Comparado com o que aí vem nenhuma destas previsões é especialmente pessimista.” Não foram. A realidade foi muito pior: desembocou num ex-primeiro-ministro preso, em altos quadros do Estado presos, na queda do mais poderoso grupo bancário português, adorado pelos aspirantes a singapurianos novos-ricos entre o Martini man e o “homem da Regisconta”, que ainda nos governam, pela mistura de pseudo-aristocracia e altas esferas do dinheiro e do poder. Em que é que isto tem a ver com a prisão de Sócrates? Tudo. Se ele deseja um julgamento político, ele que nos deixou de herança Passos Coelho, como ele foi herança de Santana Lopes, de mim terá apenas a repetição do que disse no passado. 

Para esse peditório político não dou. Este homem fez muito mal a Portugal. Não o quero preso injustamente, nem o quero preso apenas porque fez muito mal ao seu país, até porque o fez com milhões de votos dos portugueses. Desejo-o livre pela sua pura inocência e não pelas suas atitudes de “animal feroz”, arrastando para o seu gigantesco ego um combate político que é suposto ter outros alvos e outros motivos. Apesar das frases politicamente correctas do seu comunicado, pedindo ao PS para ficar à margem, ele não deseja outra coisa que não seja envolver tudo e todos no seu destino pessoal, mesmo que isso implique comprometer a oposição a soçobrar pouco a pouco numa teoria conspirativa. 

Protestem, como eu protesto, contra tudo o que seja abuso do poder judicial, fugas orientadas de informação, humilhações escusadas, mas não dêem o passo que ele deseja que dêem. Por favor, projectem a recusa zangada do Governo para melhores causas do que o destino político do engenheiro Sócrates.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O DECLÍNIO DO REGIME OU A JUSTIÇA RENOVADA















TROCA DE CORRESPONDÊNCIA ELECTRÓNICA RELATIVA AO TEMA EM EPÍGRAFE

Ontem enviei a um amigo ex/actual!!! apaniguado/admirador de José Sócrates o seguinte e.mail:

Caro amigo
Ainda me lembro quando me dizias que o José Sócrates, mesmo quando incomodado pelos opositores e dectratores sobre os escândalos em que estava metido, era invencível, devido ao seu caracter e à sua força argumentativa e magnetizadora, perante os seus correligionários e pelos cidadãos em geral (ou se ama ou se odeia), não deixando ninguém indiferente.

A propósito lê o texto alusivo de José Manuel Fernandes, ontem publicado

Abraço
JS

Entretanto o amigo em questão respondeu-me no seguinte teor:

"Grande João

Disse-te sim que enquanto tribuno Sócrates era imbatível (mas penso o mesmo de Louça e já o escrevi). Quanto à força magnetizadora e apesar do termo ser teu eu subscrevo-o pois, como com toda a certeza notaste, ontem mesmo, o António Costa a elogiar as medidas socratistas.  
Apesar de não ser avisado a escrever História quando os acontecimentos ainda estão “no ar", acho que o mito Sócrates ficará para a História como uma espécie de Marquês de Pombal que matou os Távoras e acabou desterrado. Ainda assim teve (e tem) uma legião de admiradores e uma estátua “em cima” da Liberdade.
Repara neste pormaior: se tanta gente quer acabar com o mito Sócrates então é porque não só há mito como é grande.

Questões sociológicas à parte o que eu acho é que a justiça está a ser acusada de dar espetáculo quando na realidade isso não é verdade, pois o espetáculo decorre da curiosidade quase doentia (de todos nós), de ver cada pormenor da desgraça alheia. Não nos podemos esquecer que na execução dos Távoras, que ocorreu  num domingo, as famílias levaram as crianças para ver o espetáculo constituído por pessoas enforcadas, outras a arder, e outras laminadas.

A única coisa que podemos exigir à justiça é que julgue, de forma justa, não só o Zé Sócrates como os Zé Ninguém". 

Abraço.
FF

Respondi ao amigo da seguinte forma:

Caro FF
Não poderia estar mais de acordo com o que escreveste, sobretudo com a analogia establecida com o estadista Sebastião de Carvalho e Melo.
A mesquinhez, a pequenez e a inveja, "qualidades" tão portuguesas, que quando heivadas de má fé, são muitas vezes usadas para destronar, para não dizer destruir, todos aqueles que ousam fazer obra inovando, tal qual aconteceu a Sócrates e a muitos outros.
Acontece que José Sócrates em matéria de carácter, designadamente, petulância, arrogância e, porque não algum chico-espertismo" (independentemente de ter feito ou não as malfeitorias que lhe pretendem imputar), pôs-se a jeito para gáudio e ferocidade dos que gostam de pão e circo, principalmente quando lhes surge uma personalidade tão arrogantemente forte, controversa e deliciosa para queimar/devorar na praça pública.
Era tão interessante que neste momento a Justiça encontrasse meios (ou vestígios!!!) de prova, para proceder à prisão preventiva de Paulo Portas em relação aos submarinos e não só, ao Dias Loureiro e demais implicados no caso BPN, e a tantos outros, para que, além de saciar a voracidade voyeurista dos portugueses para com personalidades fortes e carismáticas que se põem mediáticamente a jeito, também servisse para arrasar de vez o regime encapotado de "Estado de Direito", que ainda vou escrevendo com letras maiúsculas ..... por enquanto.
Abraço
JS     




 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

El fin de la España cañí






 





















Todo empezó a irse al traste con el cambio de milenio. Aunque muchos elegidos, borrachos de vino fino, rosetones en el pelo y euros recién acuñados, aún no lo supieran, tenían los días contados. Corría el año 2003, acabado de estrenar el siglo XXI, cuando dos ya entonces casi cincuentones, Isabel Pantoja y Julián Muñoz, encandilaron y abochornaron a partidarios y detractores dándose un lotazo de órdago como adolescentes en celo arrellanados en un coche de caballos en El Rocío. Olé nosotros, que se mueran los feos –y los pobres–, parecían pregonar la exviuda de España y el exalcalde de Marbella, la Pantoja y Cachuli para el mundo, fundiéndose quizá los fondos públicos que esquilmaban a serones. Hoy, cada uno pena sus respectivos delitos en la trena como delincuentes convictos, que no confesos. Apestados sociales. Proscritos hasta de ¡Hola!, el oráculo que daba y quitaba el marchamo de celebridad de pata negra en estos lares.
Isabel, que regateó hasta el final con su señoría el monto de la multa y la fecha de entrada, entró en prisión con las botas camperas puestas, como dijo que haría. Antes tuvo tiempo de enviar una corona de claveles a la Duquesa de todas las duquesas, de cuerpo presente en la catedral de Sevilla. Con ese deceso y ese ingreso acaba una época. El firmamento de la España cañí se apaga. Salvo el Lucero del Alba, con Cayetana- Venus alumbrando desde arriba su leyenda, muchas de sus antes rutilantes luminarias han devenido en enanas marrones o aerolitos caídos.

El Rey ya no es el Rey. Ni la Reina, la Reina. Ni las Infantas, las Infantas. De ahí para abajo, el escalafón de las celebridades más carpetovetónicas del país ha dado un vuelco irreversible en los últimos años. No consta que el tsunami de Podemos haya tenido nada que ver en la debacle, porque, entre otras cosas empezó antes de que Pablo Iglesias saliera en ninguna tele. En la mayoría de los casos, ha sido el tiempo, el infortunio o el propio empeño de los interesados en destrozarse la reputación, el que ha acabado llevándoselos por delante. Corría septiembre de 2004 cuando Rocío Jurado, la más grande intérprete de copla de su época según tirios y troyanos, anunciara que tenía un cáncer de páncreas devorándole las entrañas en el jardín de su casa de La Moraleja. Su muerte, año y diez meses después, dejó a sus fans huérfanos y a los suyos gravemente desarbolados ante la vida. Hoy, su viudo, el legendario torero Ortega Cano, purga dos años y medio de cárcel por un homicidio imprudente provocado por conducir ebrio, y los problemas de su hermano y de sus hijos constituyen muchas tardes el menú de los programas del corazón más salvajes de la parrilla.
Los toreros tampoco ya no son lo que eran. Hasta bien entrados los 2000, quien no tuviera un abono en Las Ventas o en La Maestranza, o en ambas, que para eso estaba el AVE, no era nadie en según qué círculos. Los toreros eran mitos vivos, y poco menos que héroes nacionales en la consideración de la mayoría. Hoy, recién fallecido José María Manzanares y retirados de los ruedos Jesulín de Ubrique y Francisco y Cayetano Rivera Ordóñez, muchos diestros en activo se las ven y se las desean para llenar los cosos, están prohibidas las corridas de toros en Cataluña, y muchos presuntos “festejos taurinos”, como el Toro de la Vega, acaban con problemas de orden público entre aficionados y defensores de los animales.
El Rey ya no es el Rey. De ahí para abajo, el escalafón de las celebridades más carpetovetónicas  ha dado un vuelco irreversible
Manolo Escobar, el rey del pasodoble, y Sara Montiel, nuestra primera pica en Hollywood, elegantes hasta el fin, hicieron discretamente mutis por el foro y, con sus exequias, resucitaron brevemente su leyenda en la memoria colectiva de los mismos que les llevábamos ninguneando desde hacía lustros. Hasta monseñor Rouco Varela, eterno arzobispo de Madrid y el prelado español con más poder en los últimos 40 años, tuvo que irse por la puerta pequeña el pasado 14 de octubre en una misa de despedida de perfil bajísimo en la catedral de La Almudena, caído en desgracia ante los nuevos vientos del Papa Francisco. Con lo que a Su Eminencia le hubiera lucido ocupar un sitial de privilegio en el solemne funeral de la Duquesa.
La vida, no obstante, sigue. El pasado viernes a media tarde, la baronesa viuda Carmen Thyssen Bornemisza, Tita Cervera para la hemeroteca de la fama patria, firmaba ejemplares de las memorias de su esposo el barón a las señoronas del barrio de Salamanca de Madrid y a mitómanos de todo pelaje en El Corte Inglés de Goya sin que se le cayeran los pedruscos de los anillos. A ella nunca le importó arremangarse y ponerse manos a la obra. De hecho, las ha dictado, editado, y supervisado ella hasta la última coma, con la “inestimable ayuda” de José Antonio Olivar, director adjunto de ¡Hola! Sería interesante si Olivar, testigo privilegiado del quién es quién patrio, piensa que cualquier tiempo pasado fue mejor. Lo que parece claro es que películas como La escopeta nacional y Todos a la cárcel son un prodigio de sofisticación, exquisitez y elegancia al lado de la insoportable vulgaridad de la correa de transmisión de Gürtel, el mangoneo de Nóos, los papeles de Bárcenas, las tarjetas negras de Bankia, los latrocinios de los Pujol, las cacerías de Los Púnicos y los tejemanejes de, al cierre de esta edición, el último futuro preso y político, Carlos Fabra. ¡Vuelve, Berlanga!

domingo, 23 de novembro de 2014

POBRE PAÍS











A decadência do regime e das suas ditas "elites" mal começou.
Sem um estado de direito e governos credíveis, com a desagregação social em curso, com a economia à beira da agonia, com o roubo e corrupção à solta de forma descarada perpretada por políticos oportunistas sem carreira, gestores publicos, banqueiros, altos e baixos funcionários da administração pública, e com a passividade deste povo que não se indigna nem expressa a sua revolta nas urnas e/ou na rua, fazer o quê?
Esperar de braços cruzados por um regime forte e autocrático, para não dizer ditadura, personificado em mais um sebastiânico "homem previdente", que eventualmente poderá conduzir este desgraçado país a uma solução de submissão nacional ou internacional autoritária "não revogável" ????? ...... pobre pais.

João Saltão

A DESVERGONHA DOS ELEITOS QUE SE FAZEM "ELITES" OU AS SUBVENÇÕES VITALÍCIAS





















De manhã nunca havia nada que fazer - nem de resto à tarde ou à noite. Os senhores deputados estavam nas comissões, onde também não se discutia ou decidia coisa nenhuma. Mas normalmente o dia começava com o almoço, num restaurante qualquer, de preferência perto, porque nessa altura os da Assembleia da República (um para gente pobre, outro para gente rica) eram os dois tão maus, que só a esquerda e os pais de família os suportavam.

Quando se voltava, era costume, para quem sabia ler, passar por um quiosque ao lado da porta do chamado hemiciclo e comprar um grosso molho de jornais para passar o tempo. Lá dentro, havia sempre um fila de advogados nervosos que queriam assinar depressa o “livro de presenças”, que garantia à Pátria a sua assiduidade, para depois de escapulirem para o seu autêntico trabalho.

Durante a sessão falavam algumas criaturas, por ordem da direcção do grupo parlamentar. Ninguém percebia do que se tratava, porque ninguém estava informado nem da política do partido, nem dos propósitos dos notáveis que nos pastoreavam. As tropas, quando acabavam os jornais, iam passear para o corredor ou visitar amigos das bancadas da oposição, o que envolvia invariavelmente grandes festejos. Entretanto, chegavam as cinco horas e no nosso lugar já se tinham acumulado alguns papéis sem justificação do seu fim ou indicação da sua origem. Um funcionário do partido vinha dizer aos representantes do povo como deviam votar ou não votar. A páginas tantas, veio mesmo um com um novo processo. Trazia uns papelinhos de cor que agrafava aos documentos que deviam fazer a felicidade da Pátria: encarnado significava não, verde sim e amarelo esperar. Assim se poupavam explicações ao rebanho.

Na secretaria, os senhores deputados cumpriam zelosamente as formalidade de um funcionário público, que no fundo eram. Só na justificação das faltas se lhes reconhecia um privilégio: podiam indicar sem pormenores que a sua ausência, longa que fosse, se devia a “trabalho político”. Muitos defensores da Pátria usavam alegremente esta desculpa. Excepto às sextas-feiras (ou às quintas, não me lembro bem), quando se despachava a votação da semana a toque de caixa, para libertar os deputados da província que suspiravam de amor pela sua família. Um esforço destes, devemos reconhecer, merece a gratidão do país. Admito que não aguentei aquele deprimente sítio, mais de três meses. Mas quem ficou merece com certeza uma enorme medalha e uma subvenção vitalícia.


Por VPV ontem n Público.
Sublinhados meus
JS

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O MAIS PERFEITO DOS OUTONOS

















A persistente chuva de Outono cessou há pouco, e as calçadas de Lisboa, vistas assim em contraluz, são espelhos de múltiplos passos, destinos e infinitas histórias.
Histórias como a nossa, tecida de palavras e de olhares, cumplicidades soltas nestes momentos que sabem a destino, de tantas vezes… e de tanto o termos sonhado.
E uma tarde de Outono faz-se um cais que abriga o mais perfeito dos encontros.
Eu cheguei.
Sinto-o no nosso abraço que despreza as solidões antigas, sinto-o no riso que aqui e ali se nos solta como um eco do que a alma sente, sinto-o nos tantos beijos que a hora nos pede e que nós cumprimos pelo benefício apenas de um olhar…
Sinto-o numa inédita paz que me faz rogar a morte do tempo, e esse infinito querer de fazer de ti a minha eternidade.  
No ar há hoje um quente aroma de castanhas assadas, há tímidos pregões nas múltiplas línguas da gente que como nós vagueia livre pelas calçadas.
Em Lisboa.
O mais perfeito dos Outonos.
Eu e tu.
Eu já te disse que quando estou contigo qualquer hora tem sabor à mais doce das alvoradas?
Por Joaquim Barreiros

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O DESERTO DO PORTUGAL DOS PEQUENINOS

 Do "Portugal dos Pequeninos"
















«O mundo em que vivemos desde 1948 começa a cair aos bocados; e não se vê um remédio razoável no horizonte. A desculpa tradicional dos portugueses para as suas desgraças costuma ser a de que “também sucede lá fora”. Desta vez, não é mentira. A extrema-esquerda, para efeitos práticos, não existe. O PS, em guerra civil, não inspira confiança a ninguém: Seguro e Costa, com ligeiras variantes de tom, propõem a mesma receita utópica de salvação. O PSD e o CDS falharam e o Tribunal Constitucional não se irá embora amanhã. O Presidente da República, reduzido a pregar o entendimento e o “consenso” a uma multidão política que se odeia, e a um eleitorado na miséria, não serve para nada. Pouco a pouco, o país foi ficando ingovernável, no meio da resignação pública e privada. E não se imagina nenhuma força, ou conjunto de forças, capaz de restabelecer uma ordem e um desígnio. Isto não teria grande importância em tempos normais. Mas sucede que os problemas de Portugal não se resolveram com o programa de “ajustamento”, que se limitou a um exercício contabilístico e recuou perante as verdadeiras reformas. Nem o desgraçado défice se “consolidou” abaixo do que a Europa manda, nem a dívida diminuiu, nem o “crescimento” e o “pleno emprego” saíram miraculosamente da cabeça de Passos Coelho. Voltámos, depois de muita gritaria e autêntica pobreza, à situação de 2010-2011. Com algumas diferenças. O tal “povo que aguenta tudo” não aguentará uma nova dose de “austeridade”. A direita e o dr. Cavaco, que em 2011 eram de certa maneira um recurso, perderam a confiança e o respeito dos portugueses. No deserto de hoje o mínimo solavanco sério é a porta para um desastre como nunca antes conhecemos.»


Vasco Pulido Valente, Público

quinta-feira, 12 de junho de 2014

UM DIA NA VIDA DE UM DESEMPREGADO NO DIA DO DESPEDIMENTO














Um dia na vida do desempregado no dia do despedimento: crónica escrita com o coração em revolta.

Hoje. Ao fundo, um homem sai de um gabinete. O gabinete do chefe. Do ex-chefe. Do ex-chefe que ainda é chefe, ex é ele: ex-empregado. Acaba de ser despedido. É um de um rol de muitos, um nome a mais numa lista, uma fila a menos numa folha de cálculo. Sai calado, pelo espaço aberto, outros olhos viram-se primeiro para ele, depois para baixo. Outro nome é chamado, lá vai ele, o mesmo gabinete, o mesmo destino. Hoje a empresa não é uma empresa, é um matadouro. Morrem empregos. Saiu nas notícias e tudo. É um dia na vida.
A vida já continuará, mas hoje não. “Fui eu? Foram eles? O que fiz de errado? O que farei agora? Como vou dizer? Como vou fazer? Quero um abraço. Não quero ver ninguém. Quero viver. Quero morrer. Merda para isto. Respira fundo. Mas para quê? Rosna. Chora. Põe-te de pé! Desaba… Com esta idade? Com esta idade.”
Todos os dias são um dia na vida. De quem é chamado para sair. De quem não é chamado e fica, às vezes com mais culpa que alívio. Ou mais raiva que tristeza. Fuma-se lá fora, conversa-se lá dentro, recebe-se chamadas aflitas, “não, eu safei-me”. O que se faz aos braços, esmurra-se, cruzam-se? Num jogo de cadeiras, só os que tocam música não estão a jogar. De manhã, a empresa fora sacudida pelo comunicado. Alguns directores são chamados para a consumação. Outros directores tiraram férias, fugindo à notícia da razia. Veio o administrador, despedimento colectivo, reestruturação, corte de custos, a crise.
Ontem. Dez de Junho, dizia o débil Presidente da República. “Portugueses, este ano de 2014 abre um caminho de esperança. Mas, para ter esperança no futuro, devemos continuar a trabalhar no presente. Não podemos ficar à espera, passivamente, que a situação se altere por si mesma.” Passivamente !!!???
 
O discurso político é o mesmo desde 2011. É tudo muito difícil, é tudo sem alternativa, é preciso reformas estruturais, é preciso um largo consenso entre partidos e que inclua também os parceiros sociais. Tirando o não-há-alternativa, o discurso fazia sentido em 2011 e faz sentido em 2014 e é isso que não faz sentido nenhum.

A devastação económica e social destes três anos tinha de ter tido um propósito de regeneração que não teve. Se tivesse tido, o discurso já seria outro. Isso é o imperdoável. Esse é o falhanço. Se ainda precisamos do que precisávamos ainda estamos como estávamos. Tirando estarmos mais pobres. E mais desiguais. E mais desempregados. “A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor”. 
Todos os dias são um dia na vida de alguém. Hoje foi naquela empresa, ontem foi noutra, e tudo seria compreensível se fizesse parte do ciclo da vida. Faz parte do ciclo da morte. O desemprego de longa duração, o desemprego de jovens e de velhos, a redução dos apoios sociais (flexisegurança sem segurança) não é sentido de justiça nem uma sociedade a funcionar. É uma nação que exclui. Quem perde sai. Às vezes até é notícia. Hoje foi. Um dia de cada vez. Um dia é de vez.
Amanhã?


"I read the news today oh boy

About a lucky man who made the grade

And though the news was rather sad

Well I just had to laugh

I saw the photograph

He blew his mind out in a car

He didn't notice that the lights had changed

A crowd of people stood and stared

They'd seen his face before

Nobody was really sure

If he was from the House of Lords"

A Day in the Life, The Beatles

Por Pedro Guerreiro
In Expresso

sábado, 7 de junho de 2014

PORQUE HOJE É SÁBADO




 

 

 

 

 

 

 

 

 

O dia da criação

Vinícius de Morais

Rio de Janeiro , 1946

Macho e fêmea os criou.
Bíblia:
Gênese, 1, 27 


I

Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar. 

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal. 

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado. 

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado. 

II

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado.

Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado.
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado. 

III

Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de sétimo dia,
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, frequentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.

sábado, 24 de maio de 2014

HISTÓRIA PARA CONTAR NO INTERVALO DO JOGO REAL-ATLÉTICO DE MADRID EM LISBOA















Disse o espanhol Filipe II, ao tornar-se Filipe I de Portugal: "Portugal é meu porque o herdei, porque o paguei e porque o conquistei." Foi em 1580. 

Hoje, se pagar pagam todos os 120 mil espanhóis entrando em Lisboa, nem todos podem conquistar a Catedral. A nobreza entra, os sem bilhetes, não.

Mas quem é esse Filipe? Para perceberem com conceitos modernos, era uma espécie de Jorge Mendes do antigamente, que ficou, ao juntar os dois lados de Tordesilhas, senhor de um mundo onde o Sol nunca se punha.

Tal como o citado Mendes é hoje o senhor dos passes dos do Real (Cristiano Ronaldo, Pepe, Coentrão e Di María) e do Atlético (Diego Costa, Miranda, Tiago e Adrián), onde os holofotes nunca se apagam.

Esse Filipe que foi rei de Espanha e de Portugal, foi também rei de Inglaterra pelo casamento com Maria Tudor, e foi rei de quase toda a Itália, incluindo Milão. Se repararem, um percurso bastante parecido ao de José Mourinho, o de Setúbal (sobre a qual marchara quase meio milénio antes, o duque de Alba para conquistar o Alentejo para o citado Filipe).

São dados avulsos, que vos sirvo grátis, para animar no café a conversa com nuestros hermanos mais infelizes e sem bilhete. Entre uma e outra imperial (seja hospitaleiro, diga caña), promova esse Filipe de II a I, lembre que ele é filho de Isabel de Portugal e desminta o jornal ABC. Dizia este, ontem: "Madrid, capital del fútbol." Mostre-lhe as ruas: "Es Lisboa, coño.

Por Ferreira Fernandes in DN 24-05-2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ABSTENÇÃO .... OU NÃO !!!


 
 
 
 
 
 
 
No próximo dmingo, 25 de Maio é dia de eleições para o Parlamento Europeu, pairando na atmosfera a previsão de elavada abstenção, resultante da insatisfação, revolta e desinteresse dos eleitores pela "coisa" política e pelos políticos do establishment, decorrente das medidas arrasadoras do governo, por sua vontade e/ou a mando da Troika, que têm levado milhares de portugueses ao desespero, amargura e empobrecimento crescentes.

Resulta que a abstenção é um tiro no pé, porquê?

Porque os eleitores simpatizantes e/ou instalados na área de influência e beneplácito espectável dos partidos do arco do poder (leia-se PSD, CDS e PS), vão naturalmente votar nos seus apaniguados, na expectativa de continuar a "comer" (directa ou indirectamente) à mesa do orçamento de Estado. Aqui cabem os detentores das grandes, médias, pequenas e micro empresas clientes do "Estadão" amigo, a rapaziada do costume (leia-se boys que gravitam no in circle dos membros dos governos da alternância de conveniência), os militantes, jotas e simpatizantes convictos (que também os deve haver), os nomeados de luxo em altos cargos da Administração e Empresas Públicas, as classes profissionais de alto estatuto da função pública no activo ou aposentados, etc, etc, etc., que muito legitimamente, continuarão a contribuir para a manutenção do status próprio e da conjuntura.  

Por isso, não havendo votos contra a conjuntura partidocrática em número suficiente, o constitucional e muito discutível método de Hondt, encarregar-se-á de eleger a rapaziada do costume, nem que se verifique uma abstenção elevada na ordem dos 60% ou mais do eleitorado.
Assim sendo, que representatividade/legitimidade terão "os eleitos", caso ocorra aquela situação? 
Em ciência política, refere-se que a não participação dos cidadãos nos actos eleitorais que o regime (democrático) lhes confere, significa não concordância dos eleitores com o regime, isto é, pretende-se outro diferente, mesmo que não se saiba qual, nem tão pouco quais os seus contornos. Por outro lado, o voto em branco ou nulo, denota que não se pretende no poder qualquer partido, movimento ou coligação que se apresente a sufrágio, sendo as consequências eleitorais da respectiva não representatividade idênticas às da abstenção, na lógica do referenciado método de Hondt.

Mesmo considerando que nenhum político merece o nosso voto, há que votar contra, não importa em quem, importa é votar contra. Só assim conseguiremos remover do poder os responsáveis pela ruína económica e social e até politica a que chegamos, e assim podermos ter alguma esperança de que algo mudará no quadro da democracia representativa.
Afinal a meteorologia continua a prever céu geralmente muito nublado e temperaturas improprias para a praia no próximo domingo.
João Saltão
 

terça-feira, 20 de maio de 2014

JEAN-CLAUDE JUNCKER DESCOBRE O CAMINHO MARÍTIMO PARA A IGNORÂNCIA


"Eles lembram-me um dos vossos compatriotas mais prestigiados: Cristóvão Colombo. Quando partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca sabia onde estava, e era o contribuinte que pagava a viagem. É desta forma que procedem os socialistas dos nossos dias”, acrescentou Juncker.
Era difícil concentrar numa única frase tanto disparate.

Jean-Claude Juncker chegou lá: desde confundir Portugal com Génova e Espanha, a esquecer o pequeno detalhe de as viagens de Colombo terem sido o investimento mais rentável da História do país vizinho.
E somos nós, contribuintes e consumidores, quem pagamos a este pequeno génio da ignorância.

In Aventar 20/05/2014