quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

RESTAURO DE PEÇAS EXÓTICAS
















Excelente trabalho de restauro de "peças exóticas" do século passado, dignas do acervo do "Museu Nacional de Arte Moderna".

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

EXCEPÇÕES À UNANIMIDADE SOBRE A VIDA E OBRA DE MANDELA ...




















Considerações oportunas de Vasco Pulido Valente, sobre a unanimidade vigente relativa à vida e obra de Mandela.

«A morte de Mandela mostrou a indigência do jornalismo português. [...] a generalidade do público ficou sem saber quem fora o homem e o que fizera. Para começar, ficou sem saber que nascera na família real da nação xhosa (sobrinho do soba), que estudara numa escola metodista inglesa e na Universidade de Witwatersrand, que se formara em Direito e que abrira um escritório de advogado em Joanesburgo. Parecendo que não, estas trivialidades são e continuaram sempre a ser parte do político e explicam em parte a sua carreira.

Também não se disse nada sobre a evolução de Mandela de uma estratégia pacífica e moderada contra o apartheid para uma estratégia de resistência armada (que incluía sabotagem, terrorismo e guerra) e, depois para a fase final de reconciliação e da paz, que o tornou definitivamente nessa espécie de santo laico hoje celebrada. [...]

Pior do que isso: não me lembro de uma única frase, excepto do próprio Gorbatchov, sobre a queda do Muro de Berlim, sobre o colapso do império soviético na Europa oriental ou sobre aperestroika e a fraqueza do poder na própria Rússia, quando De Klerk libertou Mandela, em 1990, e resolveu negociar com o ANC, perante a impassibilidade da direita do Ocidente. A África do Sul não corria agora o risco de cair nas mãos de um ANC dominado pelos “companheiros de caminho” do comunismo, em que Mandela não se conseguiria impor e menos conduzir pelos doces caminhos do “perdão”.
De qualquer maneira, convém lembrar que em 2013 a África do Sul continua dividida entre brancos ricos e pretos pobres, que sofre de uma criminalidade nos limites do intolerável e de uma epidemia de sida que nenhum governo foi capaz de travar ou de atenuar. Com ou sem Mandela, não é um sítio recomendável.»
In Público, 8 Dezembro 2013

O FACEBOOK, OS "LIKES" E OS SEUS EQUÍVOCOS















O Facebook deu mais um passo nas relações humanas. Havia um drama com o famoso Like (gosto). Eu escrevia no Facebook que tinha ganho no euromilhões e os meus amigos dedilhavam Like. Para isso há mesmo um botão, enfim, estamos no mundo virtual, não é botão, botão, é um quadradinho a dizer Like.

E a minha alma derretia-se com os "gosto" dos meus amigos. Mas, lá está, surgiam situações estranhas. Era assim: eu escrevia que a minha tia-avó tinha morrido. E apareciam vários Like dos meus amigos... Que teria feito a tia Aurora para tão mal lhe quererem?! Calma, acontecera tão-só que o botão era único e, sem tempo de me escreverem uma mensagem (já nem digo de irem ao enterro), os meus amigos não queriam que eu pensasse que em hora tão triste me deixavam sozinho. Daí terem carregado no único botão comunicacional disponível, o tal Like... 

Isto de sentimentos nunca é simples, o Deus castigador do Velho Testamento precisou de milénios para passar ao Deus que perdoa, no Novo. Também o Facebook começa a pensar acasalar o velhinho Like com outro botão que garanta que os nossos amigos estão connosco sem, por isso, parecer que batem palmas. E vão chamar-lhe Sympathise. Em inglês podemos traduzir sympathise com o sofrimento de um amigo, quer dizer que estamos com ele. Em português, receio que o novo botão vai causar alguns cortes de relações.

A solução não é, como já li, traduzi-lo para "Empatia". É ir ter com o amigo e dar-lhe um abraço.

Por Ferreira Fernandes no DN de hoje.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O DESENCANTO DAS CONVICÇÕES À DIREITA À ESQUERDA E AO CENTRO



















Na sequência do "post" anterior um amigo escreveu-me a seguinte mensagem:
"Coño que revolucionário estás …. esse coraçãozinho liberal e capitalista está a virar à esquerda?", ao que respondi: 
Amigo para te dizer a verdade, ao longo da minha vida de atenção às coisas do mundo e da Mátria, vulgo Pátria, depois de viver os anos de infância/adolescência formatado e (des)educado (sem apelo nem agravo) pelo pensamento dominante do Estado Novo, depois de ter vivido os eflúvios embriagantes da Revolução de Abril, e do que se lhe seguiu (sempre à esquerda), de ter iniciado o meu processo de aburguesamento no centro-direita e contagiar-me pelo neo-liberalismo da moda, heis que vi desmoronar a base do meu pensamento geo-político subjacente às ideias e às praticas do "establishment" global, europeu e nacional, que, em última análise, fez com que mandasse literalmente à merda, as direitas, as esquerdas e os centros de paz podre do nosso descontentamento, cujos protagonistas fizeram desta terra, uma terra desgraçada e quase sem esperança.
Felizes dos que têm vida (existencial/emocional) para além desta "apagada, vã e vil tristeza (como penso ser o nosso caso), porque deles é o reino da salvação.
Ai se fosse mais jovem, seguramente emigraria como os actuais lúcidos qualificados e não acomodados. Sendo sénior, poderei ainda fazê-lo "à mi manera", isto é, no regime das itinerâncias que dão corpo ao denominado envelhecimento activo.

João Saltão

OS ESCRITORIOS DE ADVOGADOS E O ESTADO DA NAÇÃO

Os advogados da Nação.
Considero que uma leitura atenta do texto que se segue, afigura-se bastante elucidativa para o conhecimento de muitas das causas (entre outras), que estão na origem da situação que se vive actualmente em Portugal. Pior é perceber que, caso não surja uma vaga de indignação/acção perante a impunidade instalada, não se vislumbra qualquer esperança de mudanças significativas dentro do quadro político-constitucional vigente.

Não existem leis contra a corrupção ... porque quem faz as leis são os corruptos,
João Azevedo.

Em Portugal, os escritórios de advogados são activos propulsores da corrupção.
- Nas maiores sociedades de advogados, cada advogado ganha cerca de 115 mil euros/ano.
- Encontramos, entre estes advogados, figuras de topo dos partidos políticos integrantes da «troika vende-Pátria».
- Possuem ligação, presente ou passada, à Assembleia da República, ao Governo, a assembleias e a executivos municipais.
- Os advogados com nomes sonantes têm sido nomeados para o Sector Público Administrativo e para o Sector Empresarial do Estado.
- São ainda eles que recebem por encomenda governamental, a elaboração de legislação e a preparação de concursos públicos (grandes negócios e grandes despesas onde o estado sai quase sempre lesado).
- Enquanto docentes universitários, conferencistas e comentadores têm poder sobre a opinião pública.
- Possuem ainda ligações aos grandes grupos económicos capitalistas.
- Funcionam como elos de ligação e instrumentos de expansão dos grupos económicos capitalistas, sejam eles internos ou externos ao País.
- Conclui-se que têm contribuído para a subordinação do poder político ao poder económico.

Paulo Morais, denuncia.
60 milhões, em pareceres! Os ganhos dos escritórios mais poderosos.
Segundo Paulo Morais, a forma como legislam, só é possível em Portugal e em África. Os advogados fabricam leis com buracos e erros e passam a vida a dar pareceres sobre as leis que eles fizeram mal.

Por exemplo, um escândalo... o código da contratação pública foi feito pelo escritório do Dr Sérvulo Correia, e só em pareceres para explicar o código que ele próprio fez, já facturou 7 milhões e meio de euros.

Mas mais corrupto ainda é que estes escritórios intervêm de forma inconstitucional no processo legislativo, executivo e judicial o que viola a lei da separação dos poderes, o que requer intervenção do presidente da república.

Os mais poderosos Em Portugal marcam presença activa – as sociedades internacionais de advogados, algumas de âmbito mundial. Exemplo é o escritório Linklaters (remonta ao século XIX), sediado em Londres, que recentemente foi escolhido para prestar assessoria jurídica no processo de alienação de capital público existente na EDP e na REN e na oferta pública de aquisição (OPA) da CIMPOR.

A nível nacional as sete maiores sociedades possuem, cada uma delas, mais de uma centena de advogados (entre sócios, associados e estagiários), sendo de salientar o escritório A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados, visto ultrapassar os duzentos advogados (ver Quadro 1).

Quadro 1:
Sociedade de Advogados Nº de advogados A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados - 220;
Miranda Correia Amendoeira & Associados - 173;
Abreu & Associados 165 Vieira de Almeida & Associados 164 Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados - 160;
Cuatrecasas, Gonçalves Pereira - 140;
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados Associados - 110;
Fonte: In-Lex – Anuário das Sociedades de Advogados, 2012 (sítio na Internet).

Abreu & Associados, informa ter um volume de negócios anual de 15 milhões de euros (1), Isso significa um volume de negócios anual médio de cerca de € 115.400,00 por advogado (excluindo do cálculo os advogados estagiários) (2).

Em algumas destas sociedades de advogados, com destaque para as maiores, encontramos figuras de topo dos partidos políticos integrantes da «troika vende-Pátria» e personalidades claramente afectas a este leque partidário, com destaque para o PSD (ver Quadro 2).

Quadro 2
Sociedades de Advogados
Advogados (sócios, associados ou consultores)
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados;
Manuel Cavaleiro Brandão, Rui Machete, José Miguel Júdice;
Abreu & Associados;
Luís Marques Mendes, Paulo Teixeira Pinto;
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados;
José Manuel Galvão Teles, António Lobo Xavier;
Cuatrecasas, Gonçalves Pereira, André Gonçalves Pereira;
Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados Associados;
Pedro Rebelo de Sousa, Manuel Lopes Porto;
Uría Menéndez-Proença de Carvalho,Daniel Proença de Carvalho;
Rui Pena, Arnaut & Associados;
Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados;
Fernando Seara, Júlio Castro Caldas;
José Pedro Aguiar-Branco & Associados;
José Pedro Aguiar-Branco
APORT – Advogados Portugueses em Consórcio, Sílvio Cervan
Fonte: Sítios das sociedades de advogados na Internet, 2012.

A ligação entre advogados e partidos políticos tem a sua continuidade na ligação daqueles aos órgãos do poder político. Efectivamente, basta atentar na quase totalidade dos nomes mencionados no Quadro 2 para reconhecer a ligação dos mesmos, presente ou passada, à Assembleia da República, ao Governo, a assembleias e a executivos municipais. Como seria de esperar, as ligações supra estendem-se ao aparelho de Estado. Efectivamente, advogados com nomes sonantes têm sido alvo constante de nomeações para estruturas, permanentes ou temporárias, no âmbito do Sector Público Administrativo e para o Sector Empresarial do Estado. A título meramente exemplificativo, apresentamos os seguintes casos entre os nomes referidos no Quadro 2 (3):

Rui Machete foi administrador do Banco de Portugal e é vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos;  Manuel Lopes Porto foi membro da Comissão de Reforma Fiscal e é presidente da Mesa da Assembleia Geral da Caixa Geral de Depósitos;  Daniel Proença de Carvalho foi presidente do Conselho de Administração da RTP;  Pedro Rebelo de Sousa é vogal do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.

A ligação das sociedades mencionadas aos órgãos do poder político e ao aparelho de Estado poderá ainda traduzir-se em trabalhos do foro jurídico por encomenda governamental, nomeadamente a elaboração de legislação e a preparação de concursos públicos. Seria interessante averiguar, por exemplo, até que ponto os advogados integrantes destas entidades simultaneamente jurídicas e políticas têm contribuído para desconfigurar o quadro legislativo progressista saído da Revolução de Abril.

É igualmente visível a influência de membros das sociedades de advogados a nível do aparelho ideológico. A este respeito, sem prejuízo de considerações mais rebuscadas que se podem – e devem – tecer sobre o carácter ideológico da intervenção desses membros enquanto docentes universitários e conferencistas, resulta clara a sua intervenção conformadora da opinião pública na qualidade de comentadores, episódicos ou permanentes, nos órgãos de comunicação social. Por exemplo, quem não foi ainda confrontado com os comentários na comunicação social de José Miguel Júdice ou de António Lobo Xavier?

Advogados, grupos económicos capitalistas e negócios. A teia completa-se com a ligação das sociedades de advogados aos grandes grupos económicos capitalistas. Procurámos demonstrar essa ligação averiguando qual a presença dos nomes enunciados no Quadro 2 nos órgãos sociais de um conjunto relevante de empresas e de grupos económicos referenciados no Quadro 3.

Sector de Actividade
Empresas e Grupos Económicos
Fabricação de pasta celulósica, de papel e de cartão - PORTUCEL-SOPORCEL
Fabricação de cimento - CIMPOR
Produção e distribuição de energia - GALP Energia, EDP
Construção - Mota-Engil, Soares da Costa
Comércio - Jerónimo Martins
Transportes - BRISA
Informação e comunicação - Portugal Telecom, ZON, IMPRESA
Actividades financeiras e seguros - BES, Millennium/BCP, BPI, BANIF, Santander Totta, Tranquilidade, Millenniumbcp Ageas Grupo Segurador
Diversos - SONAE

A intersecção entre os dados obtidos nos quadros 2 e 3 revela a promiscuidade entre os grupos económicos e as sociedades de advogados, conforme se pode constatar no Quadro 4.
Quadro 4 Advogados Empresas Órgãos Sociais:
Manuel Cavaleiro Brandão: SONAE, SGPS Presidente da Mesa da Assembleia Geral BPI, Vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral;
Rui Machete (consultor): Millenniumbcp, Ageas Grupo Segurador, Presidente da Mesa da Assembleia Geral;
Daniel Proença de Carvalho: GALP Energia, Presidente da Mesa da Assembleia Geral, ZON Presidente do Conselho de Administração, BES Vogal da Comissão de Remunerações;
José Manuel Galvão Teles: EDP Presidente da Comissão de Vencimentos IMPRESA, Vogal do Conselho de Administração Millennium/BCP, Vogal do Conselho de Remunerações e Previdência;
António Lobo Xavier: Mota-Engil Vogal do Conselho de Administração, SONAECOM Vogal do Conselho de Administração, BPI Vogal do Conselho de Administração + Vogal da Comissão de Governo;
Rui Pena: EDP Presidente da Mesa da Assembleia Geral + Vogal do Conselho Geral;
Paulo Teixeira Pinto: (consultor) EDP Vogal do Conselho Geral;
José Pedro Aguiar-Branco (4) PORTUCEL-SOPORCEL Presidente da Mesa da Assembleia Geral IMPRESA Presidente da Mesa da Assembleia Geral + Presidente da Comissão de Remunerações;
Júlio Castro Caldas: Soares da Costa Presidente do Conselho Fiscal, ZON Presidente da Mesa da Assembleia Geral.
Fonte: Sítios das empresas na Internet, 2012.

A título de curiosidade justifica-se referir que, fora do universo empresarial aqui considerado, Daniel Proença de Carvalho tem a presidência da mesa da assembleia geral numa quantidade significativa de empresas, tudo indicando que seja o «recordista nacional» (ou próximo disso) neste tipo de actividade (5).

Em termos de áreas de negócio, merece destaque a participação dos escritórios mencionados no Quadro 2 nos processos de privatização daquilo que resta do Sector Empresarial do Estado. Considerando apenas exemplos recentes, as sociedades A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados e Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, prestaram assessoria nos processos de alienação do capital público existente na EDP e na REN.

O segundo escritório mencionado prestou até dupla assessoria no processo da EDP: à administração desta empresa e ao Estado. Negócios afins são os da fusão de empresas e da transacção de partes de capital de empresas, na gíria económica titulados como fusões & aquisições, onde também pontificam as sociedades de advogados na qualidade de assessores jurídicos.

Note-se como na recente oferta pública de aquisição (OPA) da CIMPOR o escritório Uría Menéndez-Proença de Carvalho, surgiu como assessor de um potencial adquirente – o grupo económico brasileiro Camargo Corrêa.

Outra área de negócio que os dirigentes dos escritórios parecem considerar promissora é a intervenção externa, nomeadamente por via da ligação a escritórios de advogados em países de língua oficial portuguesa. O Quadro 5 é revelador dessas ligações internacionais personalizadas.

Quadro 5: Sociedades Países onde existem ligações personalizadas
A. M. Pereira, Sáragga Leal, Oliveira Martins, Júdice & Associados - Angola, Moçambique, Brasil, República Popular da China;
Abreu & Associados - Angola, Moçambique;
Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados - Angola, Moçambique, Brasil, República Popular da China;
Cuatrecasas, Gonçalves Pereira -  O número de ligações é muito significativo, resultado da associação de Gonçalves Pereira à sociedade de advogados espanhola Cuatrecasas; Sociedade Rebelo de Sousa & Advogados Associados  - Angola, Cabo Verde, Moçambique, Brasil, Reino Unido;
Uría Menéndez-Proença de Carvalho -  O número de ligações é muito significativo, resultado da associação de Proença de Carvalho à sociedade de advogados espanhola Uría Menéndez;
Rui Pena, Arnaut & Associados - Angola, Timor, Brasil;
Correia, Seara, Caldas, Simões e Associados - Brasil;
José Aguiar-Branco & Associados - Espanha, França APORT – Advogados Portugueses em Consórcio Espanha
Fonte: Sítios das sociedades de advogados na Internet, 2012.

Para além de outras considerações pertinentes de carácter imediato, é de salientar que qualquer dos negócios aqui referenciados permite aos escritórios de advogados funcionarem como elos de ligação e instrumentos de expansão dos grupos económicos capitalistas, sejam eles internos ou externos ao País.

A associação de interesses entre sociedades de advogados e os grandes grupos económicos capitalistas permite-nos ainda incorporar, no âmbito do presente artigo, uma afirmação inequívoca sobre o estado actual da justiça portuguesa: o seu muito vincado carácter de classe, que se consubstancia no facto de a grande burguesia dispor de avultados meios para fazer valer os seus interesses no foro judicial, em claro detrimento da generalidade da população, seja esta encarada como trabalhadora ou como consumidora.

Conclusão
Com base no que acabou de ser escrito e exemplificado, constata-se a existência de escritórios de advogados que são instrumentos essenciais, directos ou indirectos, da expansão do domínio dos grandes grupos económicos capitalistas: instrumentos directos, devido à ligação entre ambos; instrumentos indirectos, por intermédio da relação escritórios de advogados - instituições da superestrutura política e ideológica (o que até constitui, em termos objectivos, uma porta aberta para o alastramento da corrupção).

Nesta qualidade, trata-se de entidades que têm contribuído activamente para a subordinação do poder político democrático ao poder económico, e, portanto, tais entidades constituem mais uma (entre tantas…) excrescência inconstitucional da sociedade portuguesa. (...)

Adaptação do Artigo original em:
(1) http://www.bcsdportugal.org/abreu-e-associados---sociedade-de-advogados/1344.htm (2) In-Lex – Anuário das Sociedades de Advogados, 2012 (sítio na Internet). 
(3) Dados obtidos a partir dos curricula e do sítio da CGD na Internet. 
(4) José Pedro Aguiar-Branco declara no seu curriculum vitae ter terminado as funções mencionadas aquando da tomada de posse como Ministro.
(5)http://www.zon.pt/institucional/PT/AssembleiaGeral/2009April/Documents/Anexo%20Ponto%204_FINAL.pdf

João Saltão

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

SHUTDOWN IN AMERICA
















O braço-de-ferro entre democratas e republicanos por causa do Orçamento para 2014 podia ser um confronto de projectos, natural numa sociedade livre. Mas a chantagem dos representantes do Tea Party faz dele um acto fascista. Causa próxima: o Obamacare. Verdade que parte significativa dos contribuintes americanos não quer subvencionar os cuidados básicos de saúde de 46 milhões de carenciados. Num país com 316 milhões de habitantes, não sabemos que parte da população quer medir o país pela bitola do Zimbábue. Contudo, uma sondagem da CNN garante que 46% dos americanos desaprovam o extremismo dos republicanos, considerando que o Tea Party está a conduzir o país a um suicídio colectivo.

Se o assunto não ficar resolvido até ao próximo dia 17, os Estados Unidos declaram bancarrota. Seria pleonástico antecipar as ondas de choque em todo o mundo. Cameron, num acesso de histeria, começou ontem a espernear.


A dispensa, efectiva desde anteontem, de 800 mil funcionários públicos classificados como “não essenciais” (num total de 2,3 milhões), é uma nano-mostra do que pode vir a acontecer. Neste momento, as forças de segurança, as polícias, os guardas de fronteira, os controladores aéreos e o pessoal dos correios, estão a fazer o seu trabalho sem auferir salário. Excepção: as forças armadas colocadas no estrangeiro. Por seu turno, senadores e congressistas, a quem o
shutdown não afecta, continuam a ser remunerados. Se isto não é fascismo, vou ali e já venho.

Não é a primeira vez que tal acontece: entre 5 de Dezembro de 1995 e 6 de Janeiro de 1996, o mundo esteve suspenso do duelo entre Clinton e Newt Gingrich. A ver vamos se Obama está à altura da História.


[Imagem: foto de Angel Valentin,
New York Times. Clique.]
posted by Eduardo Pitta

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

NATÁLIA CORREIA, 90 ANOS





















 
Se fosse viva, Natália Correia faria hoje 90 anos. Quem a conheceu nos anos 1940-50, garante que era a mulher mais bela de Lisboa. Natural dos Açores  —  «Eu sou dos Açores [...] naquilo que tenho de basalto e flores...»  —, Natália veio para Lisboa aos 11 anos, frequentar o Liceu D. Filipa de Lencastre. Casou quatro vezes: em 1942, com Álvaro dos Santos Dias Pereira; em 1949, com o americano William C. Hylen, que a levou para Nova Iorque; em 1950, com Alfredo Machado; e, em 1990, com Dórdio Guimarães. Opositora declarada da ditadura, deu a cara e o verbo pelo combate anti-gonçalvista. Na sua casa da rua Rodrigues Sampaio (n.º 52, 5.º), onde viveu entre 1953 e o dia da sua morte (a 16 de Março de 1993), Natália manteve um salão literário por onde passou toda a intelligentsia nacional, mas também Henri Michaux, Eugène Ionesco, Marguerite Yourcenar, Claude Roy, Graham Greene, Henry Miller, Ievgueni Ievtuchenko, Susan Sontag e outros. Foi ali que Sartre foi representado pela primeira vez em Portugal. Duas grandes escritoras portuguesas nunca lhe perdoaram esses serões. A organização da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (1966), proibida pela censura, levou-a a Tribunal Plenário: «Senhores juízes sou um poeta / um multipétalo uivo um defeito / e ando com uma camisa de vento / ao contrário do esqueleto [...]» Condenada a três anos de pena suspensa.

Em 1971, abriu com Isabel Meyrelles o bar-restaurante Botequim, frequentado por intelectuais da oposição e alguns militares do futuro MFA. Cesariny, Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira, Melo Antunes, Francisco Sá Carneiro e Snu Abecaqssis eramhabitués. (Anos mais tarde, Helena Roseta tornou-se co-proprietária.) Dirigiu duas editoras: Estúdios Cor e Arcádia. Os anos da Arcádia foram marcados por duas edições polémicas:Novas Cartas Portuguesas (1972), de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa; e Portugal e o Futuro(1974), do general Spínola, o livro que deu o tiro de partida para o 25 de Abril. Natália foi pessoalmente a Bissau buscar o manuscrito. Foi directora da revista Vida Mundial e do jornalSéculo Hoje. Viajou muito. Foi deputada do PPD/PSD (1979-87) a convite de Sá Carneiro, e do PRD (1987-91) a convite de Eanes. Em 1991, Soares fez dela Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

Autora do Hino dos Açores, deixou uma obra vastíssima. A bibliografia principal inclui quinze livros de poesia, publicados entre 1947 e 1990; sete peças de teatro, todas representadas, entre elas O Encoberto (1969); três romances, sendo A Madona (1968) o mais aclamado; dezenas de ensaios, dos quais destaco Uma Estátua para Herodes (1974); narrativas de viagem; um diário; antologias de poesia galaico-portuguesa, trovadoresca, barroca e surrealista; um livro infantil; traduções de Ovídio, etc. Em poesia, os meus títulos dilectos são O Vinho e a Lira (1969), A Mosca Iluminada (1972) e O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro (1973). Com Sonetos Românticos (1990) ganhou o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. A obra poética completa, incluindo inéditos, está reunida nos dois volumes de O Sol nas Noites e o Luar nos Dias (1993).

Jorge de Sena fez uma síntese maldosa da sua personalidade: «um poeta que se impôs pessoalmente e às suas atitudes, na vida literária portuguesa [...] pela forma como soube transformar o escândalo numa espécie de terror sagrado do provincianismo embevecido.» Natália foi de facto uma mulher excessiva, e sempre a intelligentsia ortodoxa lhe torceu o nariz. Obediente, a imprensa cultural assobia para o lado.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

DEMOCRACIA OU UNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS


















Cruzei-me há pouco com um colega na rua e parámos a comentar a proposta de lei que corta em 10% as aposentações dos funcionários e agentes do Estado, com excepção dos políticos, juízes e magistrados, diplomatas e militares.

Dizia-me ele que já não acreditava em qualquer solução democrática.
Perante essa desilusão, perguntei-lhe porquê, e a resposta deixou-me a meditar:
– Porque a primeira consulta democrática de que há memória foi a de Pôncio Pilatos ao povo: "Quem quereis que vos solte, Cristo ou Barrabás?" 
 - E o povo escolheu o ladrão...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

FIGUEIRA DA FOZ









Figueira da Foz, segundo Francisco Caeiro, in http://www.pomardaslaranjeiras.blogspot.pt/2013/08/figueira-da-foz.html


É o Atlântico que o olhar sempre nos revela quando dobramos uma esquina, qualquer que seja a nossa rota. E este é o doce privilégio da Figueira.
E percorrendo a marginal rumo a Buarcos, à esquerda o mar, de um intensíssimo tom de azul, impõe-se sempre por maior que seja o tapete de areia que de oiro nos faz o caminho até às ondas que não resistem e que em espuma branca se desfazem no beijo infinito a esta terra.
Ao longe, subimos à Boa Viagem e da vista que parte de Quiaios vemos como por três linhas paralelas de verde pinho, oiro de areia e azul Atlântico, se desenha o destino marinheiro de Portugal, a janela perfeita de onde a terra namora o mar.
Quem nunca subiu até aqui por favor não diga que conhece Portugal.
E a Figueira é a Foz, do Mondego, ilustríssimo príncipe das Beiras, estrada que ao mar entrega a herança maior da terra e da gente guerreira da Lusitânia.
Cheguei há pouco à Figueira vindo de sul e ficarei por aqui a gozar o repouso de uma noite. E na Figueira, sempre que entre céu e mar, o azul se apaga para que brilhem as estrelas, a brisa perpetua na noite esta imperial e constante presença do mar.
Hoje viajei de carro na companhia dos meus pais e numa conversa a três que dispensa sempre quaisquer estações de rádio ou CD de música.
Mas poderíamos ter chegado de comboio como há precisamente vinte e cinco anos quando com um grupo de cinco amigos chegámos para umas breves férias.
Desde Vila Viçosa fizemos uma viagem de doze horas de comboio, ficámos num apartamento só com quatro colchões o que obrigava que de forma rotativa um de nós dormisse numa tábua, despejámos o lixo durante o fim-de-semana para um sistema de recolha centralizada que já estava desactivado, e a senhora que chegou aos escritório que funcionava na antiga casa da porteira do prédio deparou-se na Segunda-feira com todos os restos da comida que nós próprios preparávamos, íamos ao cinema às sessões da meia-noite numa sala que cheirava intensamente a “Benzovac” e onde apurávamos o vencedor do concurso “Quem mais ressona”, e um dos Paulo’s, embalado na onda do gel que há poucos anos substituíra com vantagens a brilhantina, até fez um penteado com aplicações de pipocas…
Passei há pouco pela varanda da “nossa” casa. Continua igual.
Olhei o mar que se vê tão bem desde a esquina dessa rua que lhe é perpendicular, quase incrédulo pelo quarto de século que passou. O mar também continua igual.
E eu?
Acho que também continuo igual, em quase tudo e especialmente na fidelidade à vida, ao amor e aos sonhos numa espécie de genética da esperança que se apagará comigo.
A brisa fresca fez com que recolhêssemos ao hotel e eu escrevo olhando a janela que dá para uma imensidão de negro onde de vez em quando piscam luzes que parecem imitar o infinito brilho das estrelas.
E que me importa o negro se o regresso do sol me devolverá pela manhã o azul do mar.
No ciclo do tempo, como na vida, há sempre um amanhã… porque o sol, irmão da sorte, nunca nos falha.
Todos os lugares carregam a sua própria magia que é potenciada pelos pedaços inesquecíveis da nossa própria história quando algures no tempo nos cruzámos com eles.
E a Figueira, Foz do Mondego é também assim perfeita por ser mestra de vida e pela cumplicidade que me oferece aos sonhos, hoje, tal e qual como naquela partilha de 1988.
A Figueira e o mar Português, cúmplices, no legitimar de todas as esperanças.

terça-feira, 18 de junho de 2013

CONTRA OS ELEFANTES BRANCOS, DESTA FEITA NO BRASIL


















O país do samba e do futebol parece despertar de um sonho que parecia cor de rosa e que se calhar vai acabar como alguns periféricos amigos europeus. Só é de estranhar que venham agora para a rua contestar os custos dos estádios para acolher o mundial de 2014. Quando o Brasil apresentou a candidatura à «copa do mundo» e às olimpíadas, a euforia apoderou-se de todos. Ninguém contestou. Caros zucas, bem vindo ao mundo maravilhoso dos milionários «elefantes brancos»!

Por Nuno Dias da Silva, in "Civilização do Espectáculo"

segunda-feira, 17 de junho de 2013

INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZÓNIA




















Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos,o ex-governador do DF, ex-ministro da educação e actual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado
sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr.Cristóvam Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.

"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

"Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia
para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou
diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço."

"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

"Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário
ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de
um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York,
como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

"Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas
mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

"Defendo a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.

" Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia
seja nossa. Só nossa!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

SALAZAR, o novo género literário


















Ele está por todo o lado. Omnipotente, omnisciente e, principalmente, omnipresente.  Basta frequentar qualquer livraria, das mais clássicas às mais modernaças, para verificar que há escaparates inteiros dedicados a obras relacionadas com «Sua Excelência, o Senhor Presidente do Conselho». Ele é a criada, ele é as amantes, a bomba que quase o matou, ele é a concordata, ele é a diplomacia, e o diabo e a quatro. Esmagador. Crie-se um novo género literário: Salazar.

In "Civilização do Espectáculo" de Nuno Dias da Silva.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

PORTUGÁLIA, REPÚBLICA DAS BANANAS

 

 

 

 

 

 

 

Da Alameda à Aula Magna: uma aventura no País do Betão

Um texto lúcido e oportuno de Francisco Caeiro in "Pomar das Laranjeiras" ... sublinhados meus. 

Um estudo hoje apresentado contabiliza que Portugal recebeu 9 milhões de euros por dia num total de 81 mil milhões de Euros desde que em 1986 aderiu à União Europeia, então Comunidade Económica Europeia.
Deste dinheiro, para além de embarcações de pesca destruída, cursos de formação profissional e outros, a maior fatia foi utilizada em obras de betão com destaque para as vias rodoviárias que todas somadas em extensão permitiriam ligar Lisboa a Nova Deli.
Se tivermos em conta que no inicio da década de oitenta estivemos nas mãos do Fundo Monetário Internacional e que há dois anos para lá voltámos, poderemos dizer que de pouco valeu este aporte de capital que ocorreu num quarto de século, dinheiro sucessivamente utilizado na construção das fachadas que através de uma ilusão de desenvolvimento foram alimentando as campanhas eleitorais e o perpetuar de uma classe política no assento do poder.
O betão é a marca de um certo novo-riquismo bacoco e vaidoso que com raríssimas excepções apodrece sempre e desemboca na penúria devido à carência das raízes do bom senso e da consequente e incompetente má gestão.
O betão posto ao dispor da vaidade que perpetua os nomes na pedra ou no bronze das placas de inauguração de pontes, rotundas e estádios.
Hoje é quinta-feira de Corpo de Deus e por “sugestão” dos nossos credores e pela primeira vez desde há muitos anos, não é feriado nacional. As estradas perfeitas do melhor alcatrão, antes engarrafadas no inicio de um fim-de-semana prolongado, estão assim tristemente vazias alinhando-se em destino com os chalés do dinheiro fácil que rapidamente se colocam na antecâmara da penhora.
E se os políticos tivessem vergonha viriam pedir desculpa e sairiam de mansinho, mas como não…
Hoje mesmo, o Dr. Mário Soares, ícone maior da nossa política, da adesão à “Europa” e que, entre muitos outros cargos, foi neste quarto de século, Presidente da República durante 10 anos, chamou à Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, os partidos da esquerda para um consenso que tem em vista derrubar o governo.
Há alguns anos fez o mesmo quando subiu à fonte luminosa para derrubar… a esquerda com a inevitável ajuda e inspiração do “amigo americano”.
Se tivesse idade eu teria ido com ele à Alameda D. Afonso Henriques para ajudar a realinhar a liberdade de Abril e matar a tentativa de ditadura de inspiração soviética e cubana que se implantava.
Com esquerda, direita ou centro, eu também gostava de ir à Aula Magna falar de um novo governo com gente mais competente e munida de mais sensibilidade social e menos colagem aos “mandamentos” dos credores.
Mas há algo que definitivamente me distingue do Dr. Mário Soares: entre a Alameda e a Aula Magna eu lutei sempre pelo meu país e ele lutou sempre para manter e reforçar o poder no seu país, que é também o meu país.
E como ele, muitos políticos da esquerda à direita para quem Portugal foi apenas um palco para a vaidade vã do poder e nunca um terreno para cultivar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
E esta diferença que parece desprezível tem o valor de 81 mil milhões e tem o peso de muita dor, desemprego e fome.
Não basta haver novas políticas, a coerência exige novos agentes na política.

 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

SARITA NOS DEJÓ

















María Antonia Alejandra Vicenta Elpidia Isidora Abad Fernández, mundialmente conhecida por Sara (Sarita) Montiel, morreu na passada 2.º feira, dia 06 de Abril. Tinha 85 anos. 
Entre 1944 e 2004 entrou em mais de cinquenta filmes, em Espanha e Hollywood. A imagem é de El último cuplé (1957). O Festival de Cinema de Berlim tem projectada uma homenagem à sua pessoa e carreira.
Que descanse em paz.

quarta-feira, 20 de março de 2013

UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA OU DE ELASTICIDADE




















A “elasticidade” da Praça S. Pedro (Roma), com a ajuda do Espírito Santo, permitiu ontem, mais uma vez, acolher "1 milhão de pessoas" onde normalmente apenas caberiam 100.000, se fossem manifestantes anti-austeridade.

A informação é trazida até nós pela SIC que assim afina pelo diapasão da RTP.

É o primeiro milagre do Papa Francisco ou os peregrinos católicos emagreceram subitamente?

Oportunamente publicado em "O Aventar"

João Saltão