sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

VIDA GRANDE

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 " Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca. Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. 
 
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. 

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. 

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um
esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade " 
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(Neruda)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A SEMIOTICA DA ASSEMBLEIA DA REPÚLICA




















À luz da semiótica o significado desta inforgrafia, pode expressar como significante "o cerco externo e complacente à xulice do politeburo económico-financeiro lusitano", tendo como interpretante "o bom povo português", o qual se tem deixado alienar "qb" (quanto baste), em parte devido à TQT - Televisão Que Temos.
O Ministério da Educação terá de reformular a disciplina de Educação Visual, introduzindo um capítulo de Iniciação à Semiotica, para ver se "o bom povo português" acorda.

SER PORTUGUÊS



















Ruben Andresen Leitão, porventura um dos escritores portugueses do século XX que melhor nos conheceu e ilustrou, escreve no seu D. Pedro V que «em Portugal a teoria abafa qualquer tentativa prática e todo o nosso condicionamento político, educacional, etc. não nos dá a possibilidade de acção de que carecemos; teorizar de mais é o nosso grande defeito e é aquilo que sempre nos perdeu.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

"Novas Oportunidades" da plutocracia portuguesa

























A propósito do recente lançamento do livro "Como os políticos enriquecem em Portugal" de António Sérgio Azenha, ocorre-me que nós portugueses (ditos de "brandos costumes"), infelizmente não detemos aquela energia de indignação, conducente a acções cívicas de protesto, traduzidas por expressões ruidosas e perturbadoras do "establishement", quer sejam de iniciativa orgânica ou inorgânica, como agora se diz.

Assim, para já, vamos enviando uns aos outros e-mails com compilações descritoras das  oportunidades/oportunismos dos "xico-espertos" (Varas, Penedos, Coelhos, etc.), que souberam e sabem aproveitar as "Novas Oportunidades" desta extraordinária Plutocracia, Portuguesa, talvez com um certo "laivozinho" de inveja (porque não me cabe a mim !?!?), também bem característica desta singularidade especial do designado "ser português".

Se evoluirmos para os princípios e práticas da meritocracia, já não é mau.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Subsídios e outros quejandos
















A propósito das subvenções e subsídios dos políticos, tenho lido por aí muita coisa. Dos discursos mais radicais do "eles são todos uns ladrões" ao "isso é subjugar a lei à ditadura do vox populi", passando pelo mais sensato "a política tem de ser recompensada, senão os bons fogem", já ouvi um pouco de tudo.

Parece que agora até Aguiar Branco recusou o subsídio de alojamento, apesar de não ter casa em Lisboa. O ordenado que aufere permite-lhe arrendar uma casa, e portanto prescinde dessa ajuda. De todos os casos mencionados, tanto em relação à subvenção vitalícia como aos subsídios de alojamento, ninguém estava em violação da lei. Políticos e ex-políticos usufruíam de uma benesse permitida por lei. A benesse tem por justificação o reconhecimento da importância dos serviços ao Estado, sem que o político em questão saia prejudicado.
Como estamos cansados de saber, os tempos mudaram. Se antes o dinheiro parecia esticar, e o Orçamento do Estado chegava a todo o lado, agora temos uma peça de roupa tamanho S a ser desfeita por um corpo XXL. Os contribuintes sentem isso diariamente, e os beneficiários do sistema social também. Todos sofrem. Apesar dos cortes salariais que sofreu, a classe política ainda vive bastante acima do português médio. É natural e desejável que assim seja, por uma questão de independência. Mas é em tempos destes que a legitimidade é testada no terreno, e não chega a justificação de que a lei permite. É que, meus amigos, a lei também permitia um 13.º e um 14.º mês de salários, e esses já foram cortados. Os políticos têm a obrigação de dar o exemplo, bem para além da legalidade, para evitar perder a legitimidade. E não, isto não é uma demagogia, ou populismo do pior. É a simples constatação de que fica mal usufruir dessas benesses ao mesmo tempo que fazem cortes a quem ganha 600 ou 700 euros por mês. E, já dizia o provérbio, à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo. O carácter, a idoneidade moral e a noção de justiça provam-se nestes tempos. Felizmente, ainda há quem esteja a passar com distinção o desafio (ao contrário de outros).

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PROPOSTA DO GOVERNO PARA ALTERAÇÃO DE FERIADOS




















O primeiro feriado a ser anulado deve ser o 25 de Dezembro, pois sem o respectivo subsídio não faz sentido comemorar o Natal!

Depois, o 1 de Maio, uma vez que a maioria dos trabalhadores irá estar efectivamente no desemprego!

O 25 de Abril deve ser só considerado em termos de tolerância de ponto, e entre as 00H00 e as 6H00 da manhã!

O 10 de Junho deve ser eliminado, uma vez que quem manda é a troika!

Vamos manter-nos inflexíveis na defesa do 1 de Novembro, pois é o dia de todos os santos!


P'lo O Governo da Nação

João Saltão

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

E depois do ensaio a revolução





















As redes sociais fervilham com uma parafernália inquietante de material iconográfico e palavras de ordem. 

Amanhã, dia 15, acontece o primeiro ensaio: http://www.15deoutubro.net/
Qual será a senha para a revolução?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Estou farto desta treta: este país não é para velhos nem para novos






Estou farto daquilo em que se tornou este país. Estou farto de estar farto deste país. Estou farto de aldrabões, de vigaristas e de ilusionistas. De "doutores" e "engenheiros", senhores que secam tudo à passagem. Farto de políticos de vão de escada e de elefante Branco. Farto de offshores sem dono. Fartos de idosos com pensões de miséria. Farto de empresas a fechar e famílias destruídas. Farto de ver amigos à rasca. Farto da justiça comprometida, de procuradoras bizarras e de um Ministério Publico caquéctico. Farto de ver pessoas desdobrarem-se para conseguirem sobreviver. Farto de indignidades e desemprego. Farto de banqueiros e de bancos metidos em todos os grandes casos de corrupção. Farto de Casa Pia e de Face Oculta. Farto da falta de vergonha na cara de quem promete o que nunca irá cumprir. Estou farto de ver miséria escondida, envergonhada pela sociedade iludida e pura de consumo, embriagados que andámos pelo excesso de dinheiro que choveu até a torneira europeia secar e voltarmos à estaca zero, com mais snack-bares e cafés, tudo a fundo perdido. Farto de ver o mérito ser apenas mais uma palavra de dicionário. Farto de filhos da mãe. Farto de assistir à promoção da estupidez, da ignorância premiada e do compadrio a alastrar. Farto de ver pessoas entregarem as suas casas aos bancos, os mesmos que financiaram a compra sem critério. O Ronaldo é que sabe mas os Martins é que vão viver para a garagem. O Mourinho é o maior e você está falido. Mas pense positivo: têm conta no mesmo banco. 
Estou farto de ver acéfalos a falar de despesismo, o que se deve e não gastar, onde se deve e não cortar. Farto da falsa direita e da esquerda de sauna. Farto de conselhos dos velhos que lixaram isto tudo. Estou farto do FMI e dos ratings de empresas imorais a soldo dos EUA. Estou farto da senhora Merkel e das facturas escandalosas da EDP. Farto de gente a falar da críse sem a cheirar. Estou farto da boçalidade de Jardim e de gente que num país a sério seria obrigada a explicar o que faz e porque fez. Farto de Fundações e empresas públicas falidas. Farto da desresponsabilização. Farto de incompetência. Farto do Magalhães e do embuste das renováveis. Farto da gestão de mercearia na saúde pública. Farto de ver um Presidente da República a agir como uma jarra da vista Alegre em dia de festa no palácio. Farto de ver agricultores pagos para não produzirem. Fartinho de ver tudo a queixar-se e ninguém fazer nada e de me queixar e ser insultado - "se não gostas vai-te embora" - como se fossemos obrigados a gostar do estado em que estamos e estar caladinhos. Farto de ver gente genial partir desta selva. Ponham novamente a porcaria do Cravo nas arminhas e façamos uma revolução se os chaimites pegarem à primeira e houver gasolina nos depósitos. Uma "revoluçãozinha" à portuguesa, daquelas limpinhas, ordeiras e com paragem para pastéis de bacalhau e arroz de tomate. Povo de brandos costumes e...blá blá blá. Viva, viva a liberdade e agora toca a gamar.
Ou então façamos uma a sério, assim à grega, aqueles maluquinhos que certo dia inventaram a "democracia" e que agora são uns vândalos e tal, ou estarei enganado? Daqui a 40 anos cá estará alguém a queixar-se. Espero que não os mesmos de sempre. 

in Tiago Mesquita - Expresso

Cayetana de Alba. La novia más Grande de España




























Sí es seguro que muchos sevillanos no se perderán el día, incluso vestidos con el 'merchandising' que, como buena boda del año, se ha producido con ocasión del acontecimiento. Desde camisetas con la frase 'I love DQS', al estilo Gran Manzana, hasta chapitas conmemorativas. Mucho más original, la cancioncilla compuesta por Antonio Roales en honor de los novios sobre «la boda del siglo y medio», en alusión a su edad: 

«En el AVE iba y venía desde Sevilla a Madrid.
Desde Sevilla a Madrid
En el AVE iba y venía desde Sevilla a Madrid,
yo estoy loco, vida mía, lo mismo que tú por mí.
Lo mismo que tú por mí, los hijos de la duquesa dicen que nanay del tema,
pero reparte la herencia y aquí se acabó el problema.
Ya no hay remedio.
Y el día 5 de octubre ya no hay remedio
 es la boda del siglo, del siglo... y medio
».




quarta-feira, 21 de setembro de 2011

"Una vida absolutamente maravillosa"


























Cada día convivimos más con el ruido de fondo de crisis económicas, invasiones de países árabes, sorpresas de grandes gigantes farmacéuticos, reclamos de la industria del automóvil, tortugas Ninja, crímenes horrendos, pavorosos terremotos devastadores, bolsas europeas que caen y caen y vuelven a caer, episodios de estupidez humana transmitidos día tras día como si fueran una serie televisiva sin guionista. En semejante ambiente nuestra agitada vida de víctimas de lo mediático nos recuerda a un fragmento irónico de El caballero inexistente de Italo Calvino: 

“Debéis disculpar: somos muchachas del campo (...) fuera de funciones religiosas, triduos, novenas, trabajos en el campo, trillas, vendimias, fustigaciones de siervos, incestos, incendios, ahorcamientos, invasiones de ejércitos, saqueos, violaciones, pestilencias, no hemos visto nada.”
Enrique Vila-Matas

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A histórica sobrevivência de Londres














Durante a sua longa História, Londres já sobreviveu a:
- Aos romanos.
- Às invasões dos saxões.
- Á conquista normanda
- A João Sem Terra
- Aos barões.
- À guerra das Rosas
- A Henrique VIII
- Á Revolta de Wyatt
- À armada de Felipe (Que não consegue entrar em Londres)
- Ao Gundpowder Plot
- À guerra civil
- Á morte do Rei.
- Ao Grande fogo.
- A uma revolução.
- Á Revolução Industrial.
- Á loucura do King George
- Ao Parlamento.
- A católicos
- A protestantes
- A várias pestes e doenças (the english sweating).
- Á extrema pobreza.
- A ser capital do Império.
- Á grande depressão
- Às bombas da 2º guerra mundial.
- A Margaret Thatcher.
Londres é uma das mais importantes cidades da História. Já viu de tudo. Westminster Abby já presenciou toda a espécie de temores. Já várias vezes durante a sua História se pensou que era o fim. Os saxões pensaram-no quando os normandos invadiram. Os católicos quando Henrique VIII decidiu separar-se da Igreja, Elizabeth quando sentiu a Armada a chegar, Charles quando viu que ia ser morto, Dickens quando viu em que Londres se encontra, as pessoas no metro que ouviram as bombas a cair-lhes por cima.
Nunca acabou. Continua lá de pé, firme, a antiga capital de um império, o berço de muitas convenções, boas e más. Tenhamos fé. A História é assim. Problemática, cheia de altos de baixos. Mas Londres com a sua sabedoria sabe que isto, tal como tudo o resto, vai passar.
London goes beyond any boundary or convention. It contains every wish or word ever spoken, every action or gesture ever made, every harsh or noble statement ever expressed. It is illimitable. It is Infinite London. – Peter Ackroyd, in London: a biography.

http://aventar.eu/

quinta-feira, 28 de julho de 2011

COMPENSAR A FINITUDE






















«Siempre me ha dado pena la gente que no lee, y no ya porque sean más incultos, que sin duda lo son; o porque estén más indefensos y sean menos libres, que también, sino, sobre todo, porque viven muchísimo menos. La gran tragedia de los seres humanos es haber venido al mundo llenos de ansias de vivir y estar condenados a una existencia efímera. Las vidas son siempre mucho más pequeñas que nuestros sueños; incluso la vida del hombre o la mujer más grandes es infinitamente más estrecha que sus deseos. La vida nos aprieta en las axilas, como un traje mal hecho. Por eso necesitamos leer, e ir al teatro o al cine. Necessitamos vivirnos a lo ancho en otras existencias, para compensar la finitud. Y no hay vida virtual más poderosa ni más hipnotizante que la que nos ofrece la literatura.»

Rosa Montero

quarta-feira, 20 de julho de 2011

1822 de Laurentino Gomes


















Acabei de ler o livro "1822" de Laurentino Gomes, que constitui um verdadeiro repositório de emoções sobre as grandezas e misérias da vida de D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal) e das circunstâncias que deram origem à grande nação brasileira.

Todos os portugueses e brasileiros que se sentem emocional e mútuamente próximos (como é o meu caso em relação aos meus queridos amigos brasileiros e vice-versa), deverão ler este livro, porque seguramente, a sua leitura contribuirá para um entendimento mais lúcido da nossa essência e percursos comuns até à actualidade.


Cito a parte final do livro de Laurentino Dias:


"Como um espírito luminoso de duas silhuetas, repartido na morte entre as duas pátrias em que nasceu, viveu, lutou e morreu, D. Pedro permanece hoje como um laço de aproximação entre brasileiros e portugueses.

Apesar das divergências do passado e das incertezas de um mundo em rápido processo de transformação no presente, Brasil e Portugal têm conseguido manter e reforçar com relativo sucesso os seus vínculos ancestrais. Na primeira metade do século passado, portanto já bem depois da Independência, mais de um milhão de portugueses migraram para o Brasil. Seus descendentes directos - filhos, netos ou bisnetos - são estimados hoje em 25 milhões de pessoas. É um grupo que inclui nomes famosos como as atrizes Marília Pêra e Fernanda Montenegro, o director Antunes Filho, o escritor Rubem Fonseca, as cantoras Fafá de Belém e Fernanda Abreu, o baterista Tony Bellotto, a apresentadora Ana Maria Braga, o médico Drauzio Varella, o jogador Zico e os empresários Abílio Diniz e Antônio Ermírio de Moraes.

A partir da década de 90, a onda migratória se inverteu. Portugal foi invadido por dentistas, publicitários, enfermeiras, manicures e administradores de empresa brasileiros, entre outros profissionais, que actualmente formam a maior comunidade estrangeira em território português, estimada em 120.000 pessoas. Todos os anos, 220.000 passageiros atravessam o Atlântico em viagens de turismo ou negócios entre os dois paises.
A produção cultural brasileira - em especial a música, o cinema e as novelas e minisséries de televisão - é admirada e ávidamente consumida em Portugal. Na economia, ocorre o oposto. Há cerca de 700 empresas portuguesas em território brasileiro, algumas das quais são líderes em sectores estratégicos como transportes, comunicações, energia, produção de alimentos e comércio.
Esses números são uma prova de que, dois séculos depois, o sonho do Reino Unido alimentado por inúmeros brasileiros e portugueses até 1882 ainda se mantém vivo. É um reino menos formal do que o imaginado por D. João VI, D. Pedro I e José Bonifácio de Andrada e Silva, porém mais sólido e duradouro porque tem suas raízes plantadas na língua e na cultura que sempre funcionaram como a identidade entre esses dois povos."

quinta-feira, 7 de julho de 2011











 


É comovente o último artigo de Maria José Nogueira Pinto, escrito 2.ª feira e enviado ontem para publicação no Diário de Notícias, onde mantinha uma coluna de opinião. Independentemente das suas ideias sócio-políticas, reconheço-lhe uma vida de coragem e frontalidade na defesa das suas convicções. Mesmo sendo agnóstico, apetece-me dizer que "descanse em paz".

Nada me faltará

por MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO
Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.
Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.
Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.
Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.
Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.
A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.
Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.
Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

Resta dizer:
Simplesmemte arrepiante!! MJNP fechou com "chave de ouro" esta sua fugaz passagem pelo Mundo dos vivos! Tanto quanto sei, esta Senhora foi um exemplo de Mulher, um exemplo de Esposa, uma Estadista, mas acima de tudo um exemplo de Mãe! As minhas sinceras condolências a toda a familia e que a sua alma descanse em paz! Tenho a certeza que esteja onde estiver "nada lhe faltará"!

João Saltão


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Carte de Monsieur Socrates a M me Segoléne Royale





Carte de José Socrates a Segoléne Royale
 Cher madame. Je vus ecri en françois técnique pour demander de me trouver une place pour aprendre filosofie à Paris. J`ai decidé de vous contacter pour obtenir um petit avantage comme on fais en bons socialistes, meme si vous etes royale et moi republican (ah ah ah). Je vais etre um grande tromphe pour votre academie, car je m`apele Socrates et je serais une grande inspiration pour professeurs et eleves même si je suis en plein moyen age et je n`ai toujours pas bu la cicute (ah ah ah). Vous pourrez peut-etre demander au recteur de me arranger un curriculum moins chargé. Je ne necessite pas de aprendre Filosofie Antigue, a cause de mon nom. Je ne necessite aussi de aprendre Filosofie du Conheciment, car je connais tout le monde. Je ne necessite non plus de aprendre Cience politique, car jai eté premier ministre du Portugal et jai toute la cience politique quil faut. Et je ne necessite aussi de savoir Etique car personne connait mieux la Etique que ce que la fuit tous les jours. Et comme la Logique est une batate (ah ah ah), je ne necessite de l`etudier aussi. Donc je crois pouvoir faire la licenciature en un an, ce que sera bien plus que le temps de me faire ingenieur. Comme vous aurez des elections en bréve je pourrais aussi vous aider, car je sai tout de machines et propagande, et vous non. Je le ferais bien plus entusiastement si vous me trouvez un apartement au XVI que je ne sais pas ce que c`est exactement, mais Maria me dit que ça irai bien avec moi. Je vous abrace cordialement.
 José
 in http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Amigos para sempre









Amigos para sempre ...

Os amigos cada vez mais se vêem menos.
Parece que era só quando éramos novos, trabalhávamos e bebíamos juntos, que nos víamos as vezes que queríamos, sempre diariamente. E no maior luxo de todos, há muito perdido : porque não tínhamos mais nada que fazer.

Nesta semana, tenho almoçado com amigos meus grandes, que, pela primeira vez nas nossas vidas, não vejo há muitos anos. Cada um começa a falar comigo como se não tivéssemos passado um único dia sem nos vermos.

Nada falha. Tudo dispara como se nos estivera - e está - na massa do sangue: a excitação de contar coisas e a alegria de partilhar ninharias; as risotas por piadas de há muito repetidas; as promessas de esperanças que estão há que décadas por realizar.

Há grandes amigos que tenho a sorte de ter que insistem na importância da Presença com letra grande. Até agora nunca concordei achando que a saudade faz pouco do tempo e que o coração é mais sensível à lembrança do que à repetição. Enganei-me. O melhor que os amigos e as amigas têm a fazer é verem-se cada vez que podem .

É verdade que, mesmo tendo passado dez anos, é como se nos tivéssemos visto ontem. Mas, mesmo assim, sente-se o prazer inencontrável de reencontrar quem se pensava nunca mais encontrar. O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há . Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida. "

Miguel Esteves Cardoso (ainda ontem ...)