quarta-feira, 15 de julho de 2009

Um lobo disfarçado de cordeiro

O jornal "i" publicou hoje um excelente artigo que pode (deve) interessar todos os utilizadores do"facebook". Aconselha-se a sua leitura para perceber um pouco melhor até onde vão as virtualidades e perversidades do uso daquela rede social.
Na ânsia/obcessão de estar "integrado" socialmente, e contornar eventuais quadros de solidão e timidez, aceitam-se e convidão-se ilustres e menos lustres desconhecidos como "amigos", que dificilmente se converterão em amigos de facto, visto que para tal, será sempre necessário ultrapassar o conforto e comodismo da comunicação virtual, para a frontalidade da comunicação real, geradora (sem equívocos) de um verdadeiro relacionamento social, nas suas diversas vertentes, designadamente na dimensão emocional e/ou sexual.

Por outro lado, também há que perceber os sinais dos tempos no que respeita à mudança de paradigma ocorrida nos últimos 20 anos, no que se refere à substituição progressiva de hábitos sociais promotores de sociabilização (encontro nos cafés de bairro, participação em eventos sociais e profissionais, etc.), pelo "conforto" de, sem sair de casa, poder ir directamente ao encontro, com ou sem sucesso, do hipotético(a) amigo(a) ou amante que está ali à mão e à distancia de um "clik" de rato.

Não sendo totalmente imune a esta nova realidade, antes pelo contrário, ocorre-me dizer que há mais vida para lá das imensas horas que passamos, solitariamente, frente ao computador.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Relembrar a Figueira nos seus tempos áureos























A Figueira da Foz emerge de vez em quando da sua apagada vã e atlântica imensidão, para a "ribalta" da nação, pelas mais diversas razões, desde a acção de Manuel Fernades Thomaz (figura do liberalismo português vintista e um dos principais mentores da Revolução de 1820), até ao feliz evento da apresentação do Portugal dos Pequeninos e da sua "circunstância", pelo João Gonçalves, que hoje acontece no Casino da Figueira, onde estarei presente com muito gosto, apesar de estar a escrever este comentario em Lisboa onde resido.Naturalmente que entre a intervenção liberal de Fernandes Thomás em 1820 e a apresentação do Portuga dos Pequeninos por João Gonçalves (repositório lúcido e independente da democracia que não sabemos se é), nesta mui grande e atlântica cidade da F. Foz, muitas coisas aconteceram, desde o advento da praia social dos anos 50/60/70 (povoada com elegancia beirã e espanhola de burgueses e aristrocatas), pelos festivais da canção nacional, pela Maria Clara imortalizando a cidade com a sua canção "Figueira", com as incursões sublimes de Jorge de Sena em "Sinais de Fogo", tudo à volta do Grande Casino Peninsular no tempo do Pateo das Galinhas e das noites de Espanha.Mas o que de facto me despertou e incendiou a inquietação de jovem deslumbrado à época, foram os anos férteis de 70, com o Festival de Cinema, que trazia à Figueira em cada fim de verão os sortilégios suavede Setembro, que o João Gonçalves teve a felicidade de viver e relembrar a partir daquele olhar do mar imenso do muro frente ao Grande Hotel.Mais tarde a Figueira veio a ser palco de algumas euforias do regime, desde a rodagem do Citroen até à constituição/excitação de uma espécie de Marbella Atlântica. Como indefectivel seguidor do Portugal dos Pequeninos, estarei hoje no Casino para o ouvir e felicitar.Há, e já agora, experimente, se puder, os peixes e mariscos da Rosa Amélia, irmã e rival da D. Celeste, que para além da gastronomia pode cruzar-se com a protagonista que lhe fará as honras da casa e um pouco da história popular de Buarcos e Figueira.

Por João Saltão

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A MODA DOS ÓCULOS DE MASSA



A moda dos óculos de massa
 É sabido que as estratégias comerciais mais ou menos globais, determinam os ditames da moda, potenciando sobremaneira o uso e a disseminação dos mais diversos “adressos” (tipo praga), numa lógica de pertença e/ou representação social (estar na moda), e que arrasta imensos cidadãos, independentemente da sua classe social, para lojas e centros comercias, na busca do seu “signozinho de valor” (autentico ou contrafacto), na forma de peças de vestuário/objectos “de marca” ou não, mas sempre dentro “da onda que está a dar”.

Vem isto a propósito de ter reparado que, há uns anos a esta parte, se disseminou por toda essa Europa global, designadamente Portugal, o uso crescente e recorrente de óculos de correcção visual, caracterizados por armações ditas de “massa”, de uma cada vez maior densidade, cores fortes, formato e sobretudo de uma grande superfície lateral e frontal de material denso e opaco, que de forma tão assentuada e exuberante, suporta as tão singelas e transparentes lentes que servem para milhões de pessoas poderem ver mais nítida e confortavelmente a realidade que as rodeia.

Tal moda transformou-se numa praga global que atinge indiscriminadamente homens, mulheres (em maior número), jovens, idosos e crianças, ocultando e deformando rostos suaves e delicados, expressões de emoção e sedução, belezas raras e agrestes, olhos e olhares que só se sentem e pressentem nas suas mensagens subliminares, quando são visíveis em rostos limpos de armações, ou através de lentes cristalinas que quase não se notam de tão discretas que são.

São da moda, de massa negra, densa, castanha, bordeaux, mas sempre carregados, com hastes laterais crescendo em largueza da ponta das orelhas até às lentes, ocultando as laterais da face, tais palas de equídeos que só deixam olhar para a frente, encaixando as expressões de tal forma, que os seus portadores por vezes parecem “zombies” que nos olham de forma estranha e alienada.

Óbviamente, que nada tenho contra os ditames do mercado e da moda e muito menos ao livre arbítrio dos cidadãos, na escolha e uso dos adereços e objectos que muito bem entendem, mas será que sob o ponto de vista da saúde e acuidade visual, ao nível da abrangência e amplitude de visão lateral e mesmo frontal, foram realizados todos os estudos que permitam concluir que o uso deste tipo de óculos não prejudicará a visão dos seus portadores?

Será que o princípio inalienável do funcionamento dos mercados que, entre outras práticas, dita a obsolescência e diminuição dos ciclos de vida dos produtos, ao inovar no design (e por consequência vender mais), fala mais alto do que a saúde e acuidade visual?

Enquanto não esclarecer esta matéria, com estudos comprovados nos domínios da oftalmologia, optometria e demais especialidades, mantenho a questão em aberto. Prometo escrever aqui as conclusões que resultarem daquela inquietação/investigação na (óptica) da física, porque sobre a minha inquietação estética, relativa ao uso e abuso de óculos de massa pesados e largos, abstenho-me de opinar, porque cada um usa o que muito bem lhe aprouver. Por mim, que uso óculos desde os 10 anos, continuarei com as minhas singelas armações metálicas de sempre, que me permitem, também, ver o que se passa ao(s) meu(s) lado(s).
João Saltão