terça-feira, 31 de março de 2009

Lusitânea Expresso

O "Lusitânea Expresso" de inspiração nacionalista





   



 


A lusitaneidade "en color", segundo António Ferro (propaganda do Estado Novo)


















O Lusitânea Expresso "gris"

















O Lusitânea Expresso travestido de modernidade












 


Lusitânea Expresso - A alma da Nação e a minha



"ESPAÑA ANTE SUS FANTASMAS": GILES TREMLETT




Para quem se interessa plo Século XX espanhol. Uma visão isenta e apaixonada dos acontecimentos mais marcantes da vida social e política do país vizinho, desde a devastadora Guerra Civil e os desenvolvimentos da sociedade espanhola alicerçados no "Franquismo", até à emergência dos nacionalismos, passando pelo "pacto del olvido" e da construção de fenómenos sócio-urbanísticos como Benidorm.
Imperdível para todos "los aficionados" de España, como yo.


João Saltão

segunda-feira, 30 de março de 2009

CONTRIBUTOS PARA UMA ESTRATÉGIA NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO (END)

Considerando que a aplicação reactiva de medidas de política económico-social à emergência de acontecimentos não planeados e á lógica dos calendários eleitorais, não corresponde a um modelo planeado e sustentado de desenvolvimento, deverá ser definida pelo Governo a curto/médio prazo, uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento (END), que permita identificar áreas de intervenção prioritária, com base em estudos já realizados ou a realizar, onde se assuma com objectividade e realismo quais os sectores económicos/”clusters”, que poderão criar riqueza, desenvolvimento e emprego, inovando ao nível de soluções de empreendedorismo sustentado, emanadas das empresas e da sociedade civil.

Consideram-se aqui sectores económicos estratégicos o turismo, as energias renováveis, as tecnologias avançadas de aplicações informáticas para a indústria e serviços, a (re)construção da rede ferroviária nacional (em decadência à excepção da Linha do Norte e das linhas suburbanas da Região Metropolitana de Lisboa), bem como a aposta na reabilitação do parque habitacional e patrimonial das cidades.

Considerando que a saturação do parque edificado para habitação (544 mil fogos devolutos, censo de 2001), decorrente de uma lógica de “empreendedorismo fácil” e de rápido retorno financeiro, no sector da construção civil e obras públicas, baseado na especulação imobiliária (envolvendo promotores e autarquias) e na baixa qualificação dos activos do sector, deram origem a um excesso de oferta de habitação, propõem-se as seguintes medidas de intervenção:
ü Criar medidas para a redução do volume de construção de novos fogos para habitação, através de regulação articulada entre o Governo, CCDRs e autarquias, visando o reforço da procura do já vasta oferta do parque edificado, não obstante o normal funcionamento das regras de mercado de compra/venda e arrendamento de fogos;
ü Criar condições para “(re)encaminhar” o empreendedorismo, “knowHow” e capacidade instalada do tecido empresarial do sector da construção civil (associações empresariais, empresas, meio académico da área da engenharia, governo e autarquias locais), para as áreas prioritárias definidas na Estratégia Nacional de Desenvolvimento (END), nomeadamente, reabilitação do parque habitacional e património edificado, construção de infra-estruturas de suporte ao desenvolvimento do turismo, rede de transporte ferroviário entre as principais cidades e intervenção/renovação urbana (Projecto Pólis);

Consideram-se ainda como medidas de intervenção prioritária no âmbito da Estratégia Nacional de Desenvolvimento, a clara assumpção dos poderes públicos, da importância vital do investimento urgente na construção/reabilitação da rede ferroviária nacional- intercidades, em deterimento da continuação da política de construção de infra-estruturas rodoviárias, designadamente auto-estradas, mantendo tão só o TGV Lisboa – Madrid, deixando cair os outros projectos TGV como a ligação Lisboa – Porto.

Finalmente, e no que diz respeito à Educação e em particular ao ensino superior, deverá ser repensado o modelo de financiamento do ensino superior público, por forma a acabar com o modelo actual (baseado no financiamento por n.º de alunos/curso/instituição de ensino superior) e privilegiar uma outra lógica de financiamento das Universidades e Institutos Politécnicos, baseada no n.º de diplomados inseridos no mercado de trabalho por iniciativa do estabelecimento de ensino em colaboração com as empresas e instituições.

No que respeita ao ensino não superior deverá ser (re)colocada a problemática da qualidade e oportunidade das qualificações profissionais que preparam para o mercado de emprego, uma vez que a lógica quantitativa actual, baseada no alargamento crescente das ofertas de cursos profissionais em escolas públicas, cai pela base, devido à continuação do uso de uma matriz curricular de natureza “licealizante” que contempla uma carga horária elevada (80%) de formação tórica em sala, em deterimento das aprendizagens profissionalmente qualificantes, realizadas em prática simulada e em contexto real de trabalho.
Sugere-se, assim, que se recentre o modelo dos cursos profissionais ministrados em escolas públicas e privadas por forma a evoluir para uma matriz idêntica ao sistema dual em alternância escola-empresa (tipo – Aprendizagem/IEFP), com reforço das componentes de formação em pratica simulada e em contexto real de trabalho, com base numa oferta desenhada à luz de um verdadeiro diagnóstico das necessidades de formação inicial e cont, identificado pelas associações empresariais, sindicais, empresas, autarquias serviços desconcentrados do emprego, educação e qualificação.

Códigos de conduta da profissão taxista





















Óbviamente que não irei generalizar o commentário que se segue, a todos os profissionais do ramo, uma vez que, como em qualquer grupo profissional, existem bons, regulares, maus e muito maus profissionais a exercer a ctividade.
Acontece com bastante frequência, quando viajamos de táxi em percursos curtos, nomeadamente a partir do aeoroporto, somos confrontados com a irritabilidade de alguns taxistas, verbalizando por vezes de forma deselegante o facto de fazerem um itinerário curto, para já não falar de um sem número de práticas, de todos conhecidas, que alguns destes profissionais aplicam a incautos que assumem não conhecer a cidade ou o destino da corrida.
Por experiencia pessoal e pelo relato de amigos nacionais e estrangeiros, tenho verificado que alguns taxistas não primam pelas regras e comportamentos de civilidade que seria de esperar de cidadãos que prestam um serviço público e remunerado à comunidade. Quantos de nós já ouvimos impropérios e atitudes incorrectas por alguns destes cidadãos, que se auto-considerarem (supostamente) detentores de privilegios de circulação nas ruas de Lisboa?
Houve tempos em que o organismo do Estado responsavel pela qualificação da população activa, decidiu criar um perfil de competencias e qualificações destes profissionais. Para tal criou um perfil de competencias e o respectivo referencial de formação, que incluia, entre outros domínios, Relações Interpessoais, Ética e Códigos de Conduta no exercício da actividade de taxista etc.
Não sei quantos CAPs (Certificados de Aptidão Profissional) o sistema atribuiu a estes cidadãos, nem sei se a maioria se submeteu à frequencia dos respectivos cursos de formação, necessarios para obter o CAP. O certo é que muito falta fazer para que, o acto de apanhar um táxi, não seja stressante para o utilizador que não conhece a cidade e/ou o destino pretendido, sem estar a pensar na despistagem das artimanhas que estarão por trás do condutor, para assegurar um serviço mais rendível.
Termino saudando os bons profissionais do ramo que também existem na praça, e que prestam um excelente serviço aos cidadãos em geral, com códigos de conduta, simpatia e profissionalismo qb.
Há ... já agora custa-me a acreditar, que exista um eventual "loby" no sector, que impeça ou obstaculise a construção do Metro até ao aeroporto, para manter o grosso do fluxo dos passageiros entre aquela infraestrutura e Lisboa e tudo à volta. Nestes tempos já nada me espanta.
João Saltão

A ineficácia do exercício da autoridade em Portugal























A Rua das Janelas Verdes em Lisboa, estando inserida numa zona de grande qualidade urbana e paisagística, pelo seu rico património arquitectónico, o qual contempla, para além do Museu Nacional de Arte Antiga, algumas embaixadas e unidades hoteleiras de charme, tão apreciadas por visitantes estrangeiros e nacionais, constitui–se como uma artéria de prestígio, ainda mais com a reabilitação e construção de imóveis de grande qualidade arquitectónica, ocorrida nestes últimos anos.

No entanto nada disto impediu que, por aquelas bandas fossem proliferando e prosperando uma quantidade apreciável de bares e discotecas nos pisos térreos de edifícios de habitação (alguns deles não licenciados para actividade), os quais atraem no início da noite centenas de adolescentes, mobilizados pela dinâmica gregária de shots, cevejas e afins a preços baixos, transformando aquela artéria até altas horas, num espaço concentracionário, praticamente intransitável por veículos e peões, nomeadamente nas noites de quinta, sexta e sábado, para além da alteração da ordem pública muitas vezes verificada.

São incontáveis as vezes que os moradores têm chamado as autoridades, nomeadamente Polícia de Segurança Pública e Polícia Municipal, para repor a normalidade da ordem pública, limitando-se os respectivos agentes a tomar conta das ocorrências, demitindo-se da tomada de qualquer acção, remetendo as responsabilidades para outras instâncias administrativas, nomeadamente os serviços competentes da Câmara Municipal de Lisboa.

Acresce o problema do ruído emanado das aparelhagens sonoras e do ruído dos próprios utentes quer no interior quer no exterior daqueles espaços, o qual se transmite pelos prédios de habitação onde estão instalados alguns bares, impedindo o descanso dos seus moradores, que perante a não actuação das autoridades policiais, tem vindo a apresentar há 6 anos a esta parte, sucessivas queixas e denuncias aos serviços competentes da Câmara Municipal de Lisboa e ultimamente à ASAE.

Sabe-se que alguns daqueles estabelecimentos nem sequer estão licenciados para o exercício da actividade, nem tão pouco reúnem as condições de salubridade (isolamento de ruído, ventilação etc.) para poderem funcionar. Todos estes factos foram já transmitidos há vários anos às autoridades referenciadas, e nada foi feito, nem sequer qualquer resposta às petições apresentadas por parte dos moradores, como manda o código do procedimento administrativo.

Conclui-se assim, que a inércia e inépcia dos serviços e das autoridades, “o laisser faire laisser passer” e a indiferença, para não dizer desrespeito pela legalidade, pelos direitos, deveres e praticas da cidadania, fazem com que, também pelos motivos aqui apresentados (à margem dos grandes escândalos políticos e financeiros do momento), Portugal cada vez mais se pareça com uma república de plátanos do que de um Estado de Direito.

João Saltão

CARTA ABERTA AO PROF. JOSÉ HERMANO SARAIVA



















Hoje, inauguro os meus escritos no blog com uma carta aberta ao prof. José Hermano Saraiva, justamente no dia do seu aniversário (03 de Setembro), apresentando-lhe aqui os meus parabens, o meu respeito e admiração.
Lisboa, 3 de Setembro, de 2007

Faz muitos anos que acompanho com regularidade a vasta e notória produção escrita e televisionada do Prof. José Hermano Saraiva, a qual denota uma grandiloquente e superior sensibilidade para entender e divulgar aspectos essenciais da história e da cultura portuguesas.

Aos homens da minha geração (tenho 52 anos) foi-lhes exigida uma enorme capacidade de adaptaçao aos chamados “ventos de mudança” que sopraram desde o Maio de 68 francês, até à inovação/deslumbramento tecnológico da contemporaneidade, passando pela revolução de Abril de 74 e por todas as implicações políticas e sócio-culturais na vida de cada um e de toda a sociedade portuguesa.

Por um lado, herdámos uma educação de valores rica em principios e práticas de preceitos sociais instituídos, e por outro ainda fomos a tempo de apanhar o comboio do desenvolvimento económico, social e tecnológico. Esta conjugação de factores deu lugar a cidadãos que conciliam experiência e competências de saber-saber, saber-ser e tambem de saber-fazer, à luz de uma responsabilidade dita “antiga”, com a capacidade para inovar segundo as novas realidades emergentes do mundo socio-laboral, consubstanciada no uso e fruição nas novas tecnologias. Ou seja, por um lado não somos suficientemente “idosos” para resistir à mudança, e por outro somos suficientemente “jovens” para não deixar de protagonizar o mundo da inovação tecnológica e dos novos desafios da modernidade.

Vem isto a propósito de algumas discussões havidas recentemente com amigos acerca do valor intrínseco (essência/personalidade/valores/convicções/carácter/determinação etc.) das pessoas no seu tempo, independentemente das conjunturas dos momentos sociais e políticos (existência/participação social e cívica/realizações sócio-profissionais, obra feita etc.), e do reconhecimento da personalidade e da obra do cidadão José Hermano Saraiva, à luz dessa dicotomia essência/existência ao longo da sua preenchida vida pública.

É minha convicção após a leitura do seu Álbum de Memórias, que o Prof. José Hermano Saraiva pelo seu conhecimento e experiência, quer da gestão da causa pública desde os idos 60, quer do humanismo subjacente à investigaçao e divulgaçao da cultura e história de Portugal ao longo do seu percurso de investigador, pedagogo e professor, mais do que ninguém, está em condições de entender e explicar como se pode construir um percurso de vida e uma obra tão profícua, suportados por duras jornadas de trabalho e perseverante afirmação das suas convicções, apesar de, algumas vezes, ter passado por processos de penosa sobrevivência e incompreensão, para não falar dessa tão vã e vil inveja portuguesa, despertada por legítimos protagonismos, que por vezes cerceiam tantos talentos que ousam pensar e agir para lá do que dita o “establishment” académico ou o politicamente correcto.

Mesmo na transição/mudança abrupta dos regimes parece que também há filhos e enteados. Um homem que dedica o seu trabalho, a sua capacidade de realização e o seu talento ao serviço da causa pública, como interventor político por vezes crítico, promovendo a investigação e divulgação da língua e cultura portuguesas dentro e fora de Portugal, contribuindo para a inovação pedagógica aplicada ao sistema de ensino, entre outros desempenhos, numa conjuntura pouco receptiva a mudanças e que, apesar de todas as vicissitudes por que passou no final do antigo regime (e no início do novo), não desistiu do sonho de enaltecer os valores da história e da cultura do seu pais, nos novos tempos (portas) que Abril abriu.

Embora o Prof. José Hermano Saraiva tenha granjeado estima e consideração de muitos milhares de portugueses, principalmente devido à sua intervenção mediática, que no conteúdo e na forma encanta todos os que se interessam pela história e cultura de Portugal, é altura da sociedade civil e/ou poderes instituídos lhe reconhecerem, com as devidas homenagens, a sua dimensão de investigador, pedagogo e homem de cultura.

A democracia e os diversos “establishment” que dela decorrem, não devem ser preconceituosos com aqueles que a seu tempo, com as suas competências e com a sua capacidade de realização, deram ao país aquilo que o regime lhes permitia que dessem, com mais ou menos talento. Nem todos tiveram a suficiente coragem, energia e iniciativa de discordar e combater o regime, como muitos fizeram à custa da sua própria liberdade e integridade. Já lhes foi feita honra e justiça, e bem, por meritoriamente terem lutado nas diversas fileiras que ajudaram a construir o Portugal democrático.

O nome do Prof. José Hermano Saraiva, pela sua obra, e pela sua longa vida de realizações em prol da história e cultura de Portugal, também deverá ser inscrito nas tábuas dos portugueses ilustres, e que o seu exemplo de perseverança e vigor sirva de alento aos que ainda almejam sonhar por uma vida com realização pessoal, numa sociedade que promova e assegure o reconhecimento do mérito e da competência.

Bem-haja por existir, por ser quem é e pela sua obra.


João Saltão